Veja como está a boate Kiss quase nove anos após a tragédia

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Rua dos Andradas, quase esquina com Rio Branco, centro de Santa Maria, Rio Grande do Sul. Marcos Borba, 41 anos, voluntário da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), abre os dois cadeados potentes e empurra para dentro a porta de ferro preta do único ponto de entrada e saída da boate Kiss.

O sol forte da manhã entra primeiro e ilumina a parede lilás do hall de entrada – suja de fuligem –, decorada com espelhos redondos. Oito anos, nove meses e 23 dias após a madrugada de 27 de janeiro de 2013, a reportagem do R7 percorreu, por meia hora, o que restou do interior do prédio da Kiss.

No incêndio da boate, 242 pessoas morreram e 680 ficaram feridas. Tudo começou durante um show da banda de ritmos gaúchos Gurizada Fandangueira, extinta após a tragédia. O gaiteiro (sanfoneiro) da banda, Danilo Jaques, foi um dos mortos.

A tragédia da boate Kiss foi a maior do país nos últimos 50 anos, a segunda maior em número de mortos por fogo e fumaça, a quinta quando se consideram todas as causas, e a terceira do mundo em casas noturnas.

Por dentro, o prédio está como o fogo, a fuligem e a fumaça o deixaram. A Justiça determinou que a construção não fosse recuperada ou demolida antes do resultado do julgamento do caso, que tem início marcado para o próximo dia 1º de dezembro, em Porto Alegre, capital do estado.

O objetivo é preservar as características e os indícios deixados pelo incêndio, para o caso de novas perícias no espaço serem determinadas durante o julgamento, que deverá se estender por no mínimo 12 dias e se tornar o maior do Rio Grande do Sul e um dos mais longos do Brasil em todos os tempos.

A ideia para depois do veredicto dos jurados é construir no espaço um monumento aos mortos e feridos na tragédia. A Prefeitura de Santa Maria adquiriu o imóvel e o direcionou à AVTSM com essa intenção.

“O proprietário, que alugava o espaço aos donos da Kiss, queria R$ 4,5 milhões no início, mas, na negociação, conseguimos baixar para R$ 1,2 milhão em dez vezes”, revela ao R7 o prefeito da cidade, Jorge Pozzobom (PSDB).

Quatro réus serão julgados no caso: o DJ Luciano Augusto Bonilha Leão, que comprou o sinalizador usado na madrugada do incêndio, Marcelo Jesus dos Santos, vocalista da banda, que acendeu o artefato durante o show, e os dois proprietários da Kiss, os sócios Elissandro Callegaro Spohr, o Kiko, e Mauro Londero Hoffmann.

A maior parte dos universitários mortos foi vítima do gás cianeto liberado na queima da espuma que revestia o teto, feita de material impróprio para essa finalidade. O cianeto provoca asfixia e paralisia respiratória.

O ar pesa no interior da Kiss pela persistência, ainda que leve, do cheiro de fuligem e fumaça, e isso está longe de ser mera figura de linguagem. O desconforto aumenta quando essa percepção do olfato se mistura ao registro visual das ruínas e, sobretudo, ao pensamento e às vibrações de estar em um lugar até pequeno para ter concentrado tanta morte e tantos ferimentos em tão pouco tempo. A escuridão lá dentro não ilumina – mas o silêncio, aliado a tudo isso, grita.

Confira como está a boate Kiss após quase nove anos da tragédia:

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