Variante Delta sobrecarrega hospitais, que correm para reabrir leitos

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A rede privada de hospitais da cidade do Rio sofre com o avanço da variante Delta do coronavírus — considerada mais transmissível e que já corresponde a mais da metade das amostras analisadas tanto no estado (60,3%) quanto na capital (56,6%). Nos últimos 15 dias, aumentou de 30% a 40% a procura pelas emergências particulares por pessoas com Cøvid-19, afirma Graccho Alvim, diretor da Associação de Hospitais Privados do Estado do Rio. Algumas unidades reabriram alas destinadas à doença e ampliaram espaços de atendimento. Já a ocupação dos leitos de UTI passou dos 62% na semana passada para os atuais 68%.

O alerta também está aceso na rede pública. Na capital, a taxa de ocupação operacional dos leitos para Cøvid bateu os 91%. Enquanto que, no interior, há seis cidades com vagas de terapia intensiva esgotadas, no momento em que o governo do estado aciona seu Plano de Contingência para fazer frente a uma piora da situação.

Entre as medidas preventivas anunciadas, a Secretaria estadual de Saúde abriu 20 novos leitos para pacientes com Cøvid-19 no Hospital Doutor Ricardo Cruz (HERCruz), exclusivo para atendimento de coronavírus em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A pasta afirmou ainda que há um processo de chamamento público em curso para oferecer mais 150 leitos em unidades privadas, com previsão de que o edital seja publicado em 15 dias.

Na rede particular, o Copa D’Or abriu ontem mais oito leitos de CTI para Cøvid, que até então eram 19. O Hospital Samaritano também fez mudanças. Na unidade, são duas alas de emergência, a maior com 16 leitos, o dobro de tamanho da segunda. Há três meses, a direção havia conseguido manter a com mais leitos dedicada a atendimentos gerais, deixando a menor para a Cøvid-19. No último sábado, no entanto, decidiu-se invertê-las, como ocorria nos picos da pandemia.

Pacientes sem vacina

Alvim ressalta que, no caso das internações, boa parte dos pacientes chega com quadro leve da doença. Mas o crescimento da taxa de ocupação de leitos preocupa:

“Essas internações ocorrem, em primeiro lugar, nos pacientes jovens que não foram vacinados e nos mais idosos que não quiseram tomar vacina. Depois, vêm os que só tomaram uma dose e os pacientes imunizados há mais de seis meses”, relata ele sobre o panorama observado nos hospitais privados cariocas. “Há famílias inteiras chegando contaminadas”, completa o médico, ao ressaltar que a rede está preparada para, se necessário, ampliar o atendimento.

Professor do Instituto de Medicina Social da Uerj, Mario Roberto Dal Poz reforça que a Delta está relacionada a essa maior demanda nos hospitais. Mas ele chama atenção também para os riscos trazidos pela flexibilização das medidas de distanciamento.

“Criou-se uma euforia. Não é para a população sentir medo. Mas é necessário que vejam que a situação é grave. E as autoridades precisam ter mais coordenação e responsabilidade”, diz ele.

Na capital, o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, usou a redes sociais para anunciar, domingo à noite, que a Delta já é prevalente na cidade do Rio. No mesmo dia, em entrevista à GloboNews, ele destacou um aumento de 10% nas hospitalizações. Segundo dados do painel Cøvid-19 da prefeitura, ontem eram 788 internados no Rio, com 15 pessoas na fila à espera de um leito. Um mês antes, o total de internados era 31% menor (598). Há mais gente em busca de atendimento, e a permanência de alguns pacientes é prolongada.

“Temos 180 pacientes que tiveram a doença e se mantêm internados, mesmo curados, mas com sequelas advindas da Cøvid-19”, informou Soranz. “A variante Delta tem contaminado famílias inteiras e se dissemina muito mais rápido que as outras”, continuou o secretário, que na semana passada já havia anunciado a abertura 60 novos leitos.

No estado, informou ontem o RJ 2, da TV Globo, a variante Delta já foi identificada em 67 (73%) dos 92 municípios fluminenses.

Lotação em seis cidades

No interior, seis cidades estavam ontem com 100% de ocupação dos leitos de UTI para Cøvid-19: Itaguaí, na Região Metropolitana, Nova Friburgo e Cantagalo, na Região Serrana, e Bom Jesus do Itabapoana, Itaperuna e Miracema, no Noroeste Fluminense, segundo o painel de monitoramento epidemiológico do governo do estado. Em Teresópolis, na Serra, a situação também era de apreensão, com pacientes em 96% das vagas de terapia intensiva, informou a prefeitura.

Tanto em Nova Friburgo quanto em Cantagalo e Teresópolis, houve um aumento significativo do número de casos confirmados do coronavírus. Em Friburgo, foram 349 diagnósticos na semana entre os dias 1º e 7 de agosto, contra 622 na semana de 8 a 14 deste mês. Nos mesmos períodos, Cantagalo foi de 43 casos para 79. Teresópolis passou dos 147 registros para 330.

Neste último município, caso a taxa de ocupação de leitos permaneça igual ou superior a 90% até a próxima reunião do Gabinete de Crise, no dia 23, a prefeitura afirma que reativará parte dos leitos que haviam sido desativados por estarem ociosos.

Na Região Metropolitana, Duque de Caxias também está com taxa de ocupação de leitos de UTI para Cøvid acima de 90%. No Hospital São José, exclusivo para pacientes com a doença e que recebe doentes de todo o estado, a ocupação tem ficado entre 90% e 95%, segundo a Secretaria municipal de Saúde.

Também na Baixada, a ocupação dos leitos de UTI no Hospital Geral de Nova Iguaçu era de 75% ontem. As principais cidades do Leste Metropolitano têm situações mais controladas. Em Niterói, a taxa de ocupação é de 44,1% dos leitos de UTI e 13,9% de ocupação dos leitos clínicos. Em São Gonçalo, são 30% dos leitos UTI para Cøvid ocupados.

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