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“Usei peruca desde os 13 anos. Agora nunca uso, por causa do Will Smith”

Will Smith já foi criticado (e aplaudido) por milhões de pessoas, por ter dado um estalo na cara de Chris Rock durante a cerimónia dos Óscares deste ano. A origem do momento foi uma piada de Chris, que disse que esperava ver Jada Pinkett Smith, mulher de Will, numa eventual sequela de G.I. Jane – um filme de 1997 no qual a protagonista (Demi Moore) aparece de cabelo rapado.

Jada tem alopecia, um problema que vai tornando o cabelo mais fino. Incentivada pela filha, Jada acabou por rapar o cabelo no ano passado. “O lado positivo desse incidente horrível foi este: agora muito mais pessoas sabem o que é a alopecia”.

A análise é de Laura Mathias, 30 anos, que tinha apenas 12 anos quando soube que sofria de alopecia. A perda de cabelo surgiu – como acontece quase sempre – no interior de Laura: a nível emocional e mental, a inglesa estava devastada porque os seus pais se tinham divorciado.

O cabelo desapareceu rapidamente e, durante meio ano, a então adolescente nem foi à escola. Tinha vergonha. Voltou seis meses depois mas com um adereço: uma peruca. E com muitos cuidados porque, durante um exercício, durante uma brincadeira, a peruca podia cair e tinha medo de ser gozada. Chegou a ter um ataque de pânico enquanto se preparava para um casamento.

Desperdicei muito tempo da minha vida ao ficar ansiosa sobre isso”, confessou, em declarações à BBC. A peruca perdurou na sua cabeça até chegar a COVID-19. Durante a pandemia, a jovem de Manningtree começou a tirar e a partilhar fotografias suas sem peruca. Mas, ao ir a lojas, por exemplo, sentia-se melhor mantendo a peruca.

“Agora, depois do estalo do Will Smith, espero mudar isso”, confessou a inglesa, acrescentando: “Essa piada do Chris Rock poderia ter arruinado a confiança de muitas pessoas mas, na verdade, teve o efeito oposto. As pessoas vão deixar de nos olhar fixamente quando houver mais gente a sair à rua sem perucas.”

Laura Mathias costumava sentir-se muito ansiosa quando saía sem peruca. Mas o cenário mudou, desde a noite dos Óscares: “Agora sinto que há pessoas suficientes a conhecer esta condição; e deixam de supor que tenho cancro ou outra doença, e não vão olhar para mim com pena.”

“Embora este tenha sido um incidente realmente horrível, foi gigantesco para a comunidade da alopecia. Estou muito feliz por ver que finalmente as pessoas estão a perguntar o que é a alopecia”, continuou.

E, para finalizar, um elogio a Jada Pinkett Smith: “Respondeu à piada só com um olhar. Saiu deste episódio com muita dignidade”. Laura é uma das cerca de 65 mil pessoas no Reino Unido que sofrem de alopecia.

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