Últimos hóspedes do Maksoud Plaza são expulsos no fechamento do hotel

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A paranaense Marina Gryczynki, 26 anos, cresceu ouvindo histórias do avô e dos pais sobre suas estadias no icônico Maksoud Plaza, em São Paulo, que, após 42 anos de funcionamento, fechou as portas na manhã desta terça-feira (7). Quando decidiu se hospedar pela primeira vez no hotel na última quinta (2), não imaginava que faria parte dos momentos finais do estabelecimento que já recebeu de Rolling Stones a Margareth Thatcher.

Descobriu ao voltar de um passeio pela capital paulista, na noite desta segunda (6), e encontrar o prédio esvaziado, suas malas na recepção e um aviso de funcionários de que o hotel encerrara suas atividades naquela tarde, um dia antes do final de sua reserva.

“Era uma situação um pouco constrangedora para os funcionários também. Eles não sabiam bem o que fazer”, diz Marina.

Estudante de pós-graduação em gestão hoteleira e filha de empresários da área, Marina estava em São Paulo com o namorado, o arquiteto Eduardo Gomes, 34. Durante os dias hospedados, encantaram-se com o mobiliário da década de 1950 do hotel, assistiram a uma apresentação de piano no lobby e às classificatórias da Fórmula 1, no sábado, e frequentaram o bar, famoso por seus coquetéis.

“Não vimos nenhum sinal de que o hotel poderia estar fechando. O serviço e a limpeza estavam impecáveis”, diz Eduardo.

Segundo a administração, o hotel interrompeu na última semana a realização de reservas para quaisquer datas após esta segunda-feira. “Desde a semana passada, passamos a não aceitar mais reservas, nos programando para não interromper o período de estadia dos hóspedes”, disse à reportagem o presidente executivo do hotel, Henry Maksoud Neto.

Os demais hóspedes foram avisados sobre a necessidade de fazer o check-out na manhã desta segunda e deixaram o estabelecimento ao meio-dia.

Marina e Eduardo, no entanto, afirmam que realizaram a reserva através de um site e pagaram pela estadia até esta terça. A administração tentou contatar o casal diversas vezes para avisá-los sobre a necessidade do check-out antecipado, sem sucesso. O casal, que fez diversos passeios pela cidade durante a estadia, informou que perdeu as ligações.

BARRADOS NA PORTA APÓS PASSEIO

“Não conseguiram nos avisar. Voltamos do passeio às 19h e fomos barrados na porta pelo segurança. Nossas malas estavam na recepção e informaram que o hotel estava fechado. Não podíamos subir para o quarto”, conta Eduardo.

“Estava deserto. Todos os hóspedes já tinham ido embora e muitos funcionários também. Era uma sensação de ‘o último a sair apaga a luz’. Disseram que só estavam nos esperando para ir embora.”

O casal foi auxiliado por uma funcionária a encontrar vaga em hotel próximo, mas foi informado de que teria que se responsabilizar pelos custos da nova hospedagem e deveria solicitar o reembolso pela noite já paga ao site de reservas.

Eles lamentam não terem sido avisados no check-in sobre a possibilidade de fechamento do hotel. “Mas depois que o nervosismo passou, achamos bacana termos, de certa forma, feito parte da história do hotel como os últimos hóspedes”, diz Marina. “É uma pena ele fechar. Era um prédio antigo mas, com uma boa reforma, poderiam trazer de volta o ouro que era. Torcemos para que continue sendo um hotel, porque tem história demais para ser qualquer outra coisa.”

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