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TOTIA MEIRELES: “DEPOIS DA MENOPAUSA, A MULHER MADURA NÃO PERDE A VALIDADE. NÓS NÃO SOMOS DESCARTÁVEIS”

A atriz, que, no momento, pode ser vista na reprise da novela O Clone, na Globo, e no seriado D.P.A. – Detetives do Prédio Azul, no Gloob, fez participação na série Os Desjuntados, para a Amazon Prime Video. Em entrevista exclusiva, ela faz uma reflexão por conta da comédia teatral Procuro o Homem da Minha Vida, Marido Já Tive, na qual integra o elenco e aborda os questionamentos das mulheres maduras da faixa dos 50 e 60 anos, após encontros e desencontros. “É um assunto bem pertinente. Devemos ser felizes por nós mesmas e não colocar a nossa felicidade na mão de outro. Não precisamos de homens para ser felizes”, ressalta ela. Ainda neste semestre, Totia vai conciliar a peça com o show ‘Herivelto Como Eu Conheci’, no qual vai cantar músicas de Herivelto Martins

Mostrar os questionamentos das mulheres maduras, após encontros e desencontros, é o mote central da comédia teatral Procuro o Homem da Minha Vida, Marido Já Tive e que tem Totia Meireles no elenco. Na vida particular, a atriz, que tem um relacionamento estável de três décadas com o médico Jaime Rabacov, revela as indagações que faz a si própria atualmente e que se assemelham a de tantas mulheres de sua faixa etária. “É muito bom estar madura. Você tem mais paciência, a visão da vida é diferente, mais cuidada, seletiva. Você tem uma sapiência em tudo desde escolher o que vai comer até o trabalho que vai fazer. E nós, mulheres, lutamos contra aqueles que ainda acham que, depois da menopausa, perdemos a vitalidade ou a validade. Não! Aos 63 anos, eu estou com inúmeros projetos. Então, essa é uma luta da mulher madura. Nós não somos descartáveis”, enfatiza Totia, que atualmente pode ser vista na reprise de O Clone, nas tardes da Globo, e no D.P.A. – Detetives do Prédio Azul, no Gloob.

Para Totia, a passagem pela menopausa foi tranquila. “Assim, eu nunca gostei de menstruar (risos), mas a menopausa vai além de parar de menstruar. Tem a questão do hormônio, a qualidade da pele. Aí, eu entendi o que era realmente, mas não sofri muito não, fiquei tranquila, não tive aqueles fogachos, nada disso, e reponho hormônios e tudo certo”, pontua.

Além da identificação com o tema do espetáculo, Totia está empolgada por ter voltado a atuar em uma comédia no teatro. Nos últimos tempos, estava sempre envolvida com musicais. “Essa peça surgiu no final do ano passado, quando já tinha tomado as vacinas contra a Cøvid. Apesar disso, ainda pensei se iria ou não para São Paulo. Você fica com medo. Por outro lado, vinha há quase dois anos, no sítio (em Miguel Pereira) o tempo inteiro, estava com vontade de voltar ao palco, morrendo de saudade de trabalhar. E sempre fui fã da Leona Cavalli e da Grace Gianoukas, com quem tenho a oportunidade de trabalhar pela primeira vez. Então, me joguei e estou muito feliz. A peça tem um texto superinteligente para falar de mulheres maduras. É um assunto superpertinente. Nossa, as pessoas amam o espetáculo. Em São Paulo, o sucesso foi grande e abrimos duas sessões extras. Fazer o público rir em momento tão delicado, está sendo maravilhoso”, vibra ela, que divide a cena ainda com Maurício Machado, sob a direção de Eduardo Figueiredo.

Na peça baseada no best-seller da escritora argentina Daniela Di Segni, as atrizes abordam os vários tipos de mulheres. Umas procuram o príncipe encantado, acham e se desencantam, outras são bem românticas e iludidas. “A conclusão que chegamos é que homem é um item, e nós, temos que ser felizes por nós mesmas. Não colocar a nossa felicidade na mão de outro. Não precisamos de homens para ser felizes. Carlota, minha personagem, é mais ácida, tem um humor mais seco, não é nada romântica, vai rebatendo tudo que as outras falam e diz que ‘é mais fácil achar um político honesto do que um homem ideal’”, ressalta.

Totia explica que se encaixa no perfil da mulher muito independente. “Aprendi isso com a minha mãe. Eu gosto de ter o meu tempo, fazer o que eu quero. Sempre trabalhei e me sustentei. Sempre fui muito independente. Trabalho, tenho o meu dinheiro e faço dele o que eu quero. Após 30 anos, tenho certeza de que não vou me separar do Jaime, mas, enfim, se acontecer, não preciso depender de ninguém. É muito bom você ter essa independência, porque conheço muitas mulheres que não se separam, porque não conseguem se sustentar sozinhas. Então, sou essa mulher, independente e ao mesmo tempo muito feliz de estar dividindo a minha vida com outra pessoa”, comenta.

Foram quase três décadas, sem brincar de casinha, digamos, pois logo no início da relação, Jaime foi morar no sítio em Miguel Pereira, onde exerce a profissão de médico, enquanto ela ficava morando no Rio, gravando novela e atuando no teatro. Mas, com o surgimento da pandemia, ela passou quase os dois anos no município do centro-sul fluminense. “Eu falei pra ele que depois de 30 anos a gente casou (risos), porque nunca tínhamos morado tanto tempo juntos. O maior tempo que havíamos passado juntos tinha sido um mês e pouco, viajando. Mas assim, é totalmente diferente do dia a dia. Essa novidade foi muito boa, porque depois de três décadas já sabemos tudo um do outro, então, nesses dois anos a nossa convivência foi maravilhosa. Adorei ter casado com o mesmo marido”, diverte-se.

Nos primeiros quatro, cinco meses de isolamento, Jaime também parou de trabalhar. “Hoje em dia, eu não moro mais no Rio, eu moro em Miguel Pereira. Eu meio que me mudei para lá, onde até fiz um closet. Quem faz um closet é para morar. As roupas estão todas lá. Agora, o Rio é só para passar uma temporada, trabalhar”, assegura.

“Eu sempre fui muito urbana, não conseguia ficar no sítio mais do que três dias. Mas adorei esse período em que fiquei lá na pandemia. Não sou essa pessoa de ficar plantando, mexendo com plantinha. Mas foi bacana ver a natureza se transformar, as folhas caírem, as árvores cresceram e os frutos nascerem. É muito interessante ver o círculo da vida acontecer quando você está junto da natureza. E gosto de bicho. Aqui temos cavalo, vaca, pavão, galinha, gato, cachorro. Mas não tiro leite da vaca. O máximo que faço é pegar o ovo que a galinha colocou”, explica ela, cuja novela mais recente de que participou foi Verão 90.

Após a trama exibida até julho de 2019, Totia ainda atuou no filme Um Casal Inseparável. Durante a pandemia, com auxílio de Jaime, gravou do próprio sítio, participação na série Os Desjuntados, para a Amazon Prime Video. “Todas as cenas da minha personagem, ela estava conversando com a filha (Letícia Lima) pelo telefone. Então, eu mesma fiz a maquiagem e criei o figurino. Eu estava no computador, aí entrou o fotógrafo orientando onde devia colocar a luz. E a qualidade ficou muito legal. Hoje em dia, os celulares são incríveis”, conta ela, que ainda gravou o seriado D.P.A. – Detetives do Prédio Azul, que acaba de estrear no Gloob. “A Teodora entra na história para ser babá das crianças, mas é uma babá torta, só quer saber de fazer mágica, é uma vilãzinha engraçada, do bem”, diz.

Quando saiu de seu refúgio por conta dos ensaios da peça, em São Paulo, Totia acabou testando positivo para Cøvid, em janeiro, quando surgiu a variante ômicron. A estreia da peça, inclusive, precisou ser adiada alguns dias. Na ocasião, já tinha sido imunizada com as três doses da vacina e os sintomas foram leves. O marido, que chegou a atender muitos pacientes com a doença, felizmente não teve.

No momento, sempre que pode, ela acompanha a reprise de O Clone. “Eu amo essa novela, não só porque eu participei. Ela faz sucesso até agora, porque a Gloria (Perez) é danada, ela fala de uns assuntos bem diferentes. Tem essa questão dos costumes dos muçulmanos. Isso dá um sabor todo especial à trama. Entrei para fazer somente o início, mas logo na minha primeira cena com a Vera (Fischer), o diretor Marcos Schechtman perguntou se já nos conhecíamos, porque tínhamos uma química bem legal. Acabei ficando até o final da novela. O resultado foi uma amizade gostosa com a Vera. O Clone foi uma virada na minha carreira e, depois, fiz todas as novelas da Glória Perez como autora”, recorda.

Totia planeja estrear ainda neste semestre o show Herivelto como eu Conheci, sobre a vida do Herivelto Martins (1912-1992) com a última esposa, Lurdes Torelly. “A Lurdes era a mãe da Yacanã (Martins), que achou uma mala com bilhetes e ela escreveu um livro junto com o Cacau Hygino e dessa obra saiu a peça. Então, a gente vai contando a vida dos dois, de como ele a conheceu e até a morte da Dalva (de Oliveira). A direção é do Claudio Botelho”, explica Totia que vai soltar a voz em músicas como Caminhemos, Segredo e A Camisola do Dia.

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