“Sala da sarrada”: ex-funcionária de loja da TIM expõe assédio de colegas

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Uma ex-funcionária da loja TIM do Norte Shopping, na zona norte do Rio de Janeiro, relatou, em uma rede social, que foi demitida por justa causa após ser vítima de assédio pelo gerente-geral e por um consultor do estabelecimento. O caso aconteceu em 15 de abril deste ano.

Na postagem, Anna Paula Oliveira, 31 anos, conta que foi surpreendida pelos dois homens e levada para uma sala escura chamada de “sala da sarrada”, de acordo com o relato prestado à polícia.

“Minha mente paralisou na hora, não conseguia assimilar o porquê de ser comigo e o porquê de estarem fazendo aquilo. Foram minutos angustiantes. Ele passou a mão no meu corpo, ele pressionava tão forte e beijava o meu pescoço de forma rígida e rápida, enquanto eu pedia para ele parar”, disse.

Ela diz que pediu socorro a uma colega com quem iria almoçar. “Comecei a gritar por ela várias vezes até que ela veio me socorrer, mas ao tentar abrir a porta, não conseguiu. Então gritou ‘amiga, a porta está trancada’. Eu respondi ‘eles que me trancaram aqui’, e a todo momento, eles riam e a agonia só aumentava”, continuou.

Quando a colega sugeriu que Anna fizesse uma denúncia no canal interno da empresa, os homens teriam aberto a porta e a deixaram sair. No dia seguinte, a funcionária entrou de férias e voltou em maio. Ela conta que a produtividade no trabalho caiu por causa das lembranças.

Ela conta ter feito uma denúncia interna contra o gerente. “No dia 1/6, ele me chamou até a sala e depois chamou os dois colegas de trabalho que presenciaram. Eu fui atacada, humilhada de várias formas, ameaçada e coagida, simplesmente porque ele teve acesso à denúncia e à avaliação da sua gestão que eu claramente respondi de forma negativa”, afirmou.

Anna foi, então, transferida para a TIM do New York City Center, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. No primeiro dia no estabelecimento, Anna Paula relata ter tido uma crise de ansiedade. Foi quando a coordenadora da unidade a teria demitido.

“Ela demitiu por justa causa, no meio de uma crise de ansiedade e de forma humilhante, falando sobre eu ter ferido a honra dos meus superiores e colegas de trabalho, quebrando assim o código de ética da TIM”, explicou.

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Desdobramentos

Em julho, os dois suspeitos foram indiciados pela 23ª DP (Méier), onde o caso foi registrado. Eles foram autuados por difamação, importunação sᕮxual e coação no curso do processo. O inquérito já foi enviado ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).

Em depoimento, um deles disse que já havia visto fotos íntimas da vítima na empresa, o que, segundo a polícia, não é verdadeiro.

As investigações concluíram que a principal testemunha do caso foi coagida a mentir em depoimento para acobertar os homens. A apuração da Polícia Civil também revelou que a TIM nunca recebeu a vítima pessoalmente ou averiguou o ocorrido.

Em nota, a TIM declarou que “repudia qualquer situação de assédio” e afirmou que o caso “encontra-se sob apuração sigilosa por parte das autoridades competentes, motivo pelo qual tem se mantido respeitosamente silente”. Disse também que a demissão se deu por “causas anteriores e totalmente alheias aos fatos relatados”.

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