"Quero que as pessoas entendam", diz mãe sobre filho transgênero de 5 anos

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EJ Torrisi tem apenas 5 anos e, apesar da pouca idade, a mãe, Emily, 25 anos, diz que seu filho “é exatamente quem deveria ser”. A criança, de New Jersey, nos Estados Unidos, nasceu menina, no entanto, identifica-se com o gênero masculino. “O jardim de infância é, com certeza, uma fase jovem para qualquer criança fazer suas próprias escolhas, mas isso não é como escolher um esporte, não gostar e seguir em frente. Essa é a personalidade do meu filho”, disse a mãe à PEOPLE.

“Uma vez que EJ teve voz para dizer sua própria opinião sobre roupas e como ele queria se parecer e se expressar, toda a sua atitude mudou. Ele está mais feliz”, afirmou. “Como mãe, você vê seus filhos aprenderem e crescerem todos os dias e, ao fazer isso, os vê se tornarem eles próprios. Esta é a pessoa que EJ está se tornando. Simplesmente se encaixa”, completou.

Emily decidiu compartilhar a história de seu filho na esperança que outras pessoas aceitem melhor as crianças trans, independentemente de sua idade. “Quero que as pessoas vejam o quão jovem uma pessoa pode ser quando começar a se sentir assim, e está tudo bem. Quero que mais pessoas abram os olhos para aceitar ou compreender como uma pessoa se sente por dentro. Quero que as pessoas entendam que, seja uma criança ou um adulto, todos têm sentimentos e emoções e todos têm o direito de fazer suas próprias escolhas”, defendeu.

Preferências masculinas

Emily e o marido, Alfio Torrisi, notaram que, desde muito cedo, EJ preferia brinquedos como caminhões, carros e dinossauros. “Então, por volta de 2 anos e meio, se você levava EJ às compras, ele sempre pedia as camisas dos meninos”, lembra. “Certo dia, aos 3, EJ me perguntou se ele tinha permissão para comprar cuecas. Assim que ele chegou perto dos 4 anos, começou a recusar qualquer coisa que fosse feminina”, disse Emily, que ainda tem três filhas e um quinto filho a caminho. Ela admite que foi “meio confuso durante os estágios iniciais”, tanto para ela quanto para Alfio, mas eles “confiaram nos seus instintos” e apoiaram o filho. “Seguimos o fluxo porque, no fim das contas, uma camiseta é só uma camiseta e os brinquedos são brinquedos”, explicou. “Mas, com o passar do tempo, podíamos ver com o que ele ficava feliz e se sentia confortável”, disse.

Quando finalmente chegou a pré-escola, EJ já se identificava totalmente como menino. “EJ corrigia você se usasse o nome de nascimento dele”, lembra a mãe. “Ele o corrigia e dizia: ‘É o EJ”, acrescentou ela. Embora Emily ficasse nervosa sobre a forma como a escola e os colegas o tratariam, ela disse que a professora se mostrou “incrivelmente favorável e não deixava que nada fosse desconfortável para ele”. E a experiência positiva estendeu-se para o jardim de infância, quando Emily disse que ela e o diretor desenvolveram “um plano completo” para que a criança se sentisse confortável na escola. “Como mãe, ainda me preocupo com encontros com amigos e festas, mas até agora não posso reclamar. Ele recebeu muito amor de todos”, disse.

“Honestamente, eu também não entenderia completamente até que visse com meus próprios olhos. Mas se você vai odiar o que faz uma pessoa se sentir confortável em sua vida, então continue em frente. Não diga coisas desagradáveis, não faça uma pessoa se questionar. Não é sua pele, é deles, e eles nasceram para fazer sua própria jornada. Você vai ensiná-los a ter orgulho das pessoas que são. EJ nasceu para isso e muitas pessoas deram a ele muito amor e aceitação. É uma coisa linda de se ver e testemunhar. O mundo pode ficar tão feio às vezes. Todo mundo tem seus próprio pensamento e crenças, mas você só precisa se preocupar com você e sua própria família, e com mais ninguém”, afirmou.

“Espero que ele siga seus sonhos e nunca pare. Espero que ele continue a se defender. Espero que quando algo o derrubar, que ele apenas reflita sobre isso e continue. Sempre haverá negatividade, sempre haverá inimigos, mas ele sempre terá uma rede de apoio e pessoas que o amam, e isso é o que importa”, finalizou.

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