Problema no aquecedor a gás provocou morte de casal no Leblon, conclui perícia

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O laudo de exame em local de constatação de morte feito por profissionais do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) no apartamento 601 do número 980 da Avenida Bartolomeu Mitre, no Leblon, na Zona Sul do Rio, concluiu que Mateus Correia Viana e Nathalia Guzzardi Marques foram vítimas de “inalação contínua em ambiente enriquecido por monóxido de carbono” em decorrência da ação de combustão do aquecedor de água instalado no banheiro sem a observação das chamadas Normas Técnicas Brasileiras (NBR). O corpos do casal foram encontrados no cômodo do imóvel , por amigos do rapaz, na noite do último dia 22 de junho.

De acordo com o documento de 11 páginas assinado pelos peritos Cesar de Souza Guimarães e Victor Satiro Medeiros, ao qual O GLOBO teve acesso, testes realizados no local, visando reproduzir o funcionamento do equipamento, apontou para o aumento da concentração de monóxido de carbono em nível 50 vezes superior ao máximo esperado e cerca de sete vezes a concentração limite de exposição ambiental no trabalho. Os dados indicam a falha do processo de exaustão dos gases de combustão do aquecedor.

A medição do aparelho apresentou, após cinco minutos, uma concentração de 277 partes por milhão (ppm) de monóxido de carbono no interior do banheiro – superior ao limite de 5 ppm indicada como produção máxima em condições adequadas – e 17,9% de oxigênio para a atmosfera interna do cômodo – inferior ao limite mínimo de segurança. Os testes indicaram, portanto, enriquecimento de monóxido de carbono e empobrecimento súbito de oxigênio em razão do funcionamento do equipamento aquecedor de água. “Vale lembrar que nestas concentrações já se pode observar efeitos nocivos sobre o corpo humano, como tonturas, cefaleia progredindo para a perda de consciência”, destacam os peritos.

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O laudo atesta ainda que a instalação do aquecedor de gás não seguiu requisitos da NBR 13103:2020, publicada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que estabelece regras de projeto, construção, reforma e inspeção, para instalação de aparelhos a gás, como aquecedores de água e de ambiente doméstico não ligados a chaminés.

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Os laudos de exames de necropsia realizado pelo perito Claudio Amorim Simões, do Instituto Médico Legal (IML), em Mateus e em  Nathalia já apontavam “sinais gerais de asfixia, com coloração carminada dos tecidos, sugestivo de intoxicação exógena”. Diante das provas técnicas e das testemunhas ouvidas, o inquérito que apura o caso deverá ser concluído pela delegada Natacha Alves de Oliveira, titular da 14ª DP (Leblon), na próxima semana.

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