Presa, “avó” de Ketelen diz: “Cada vez que entravam no quarto era mais pancada”

Rio de Janeiro – Pouco antes de ser presa, Rosângela Nunes, de 50 anos, “avó” da menina Ketelen Vitória Oliveira da Rocha, de 6 anos, confirmou que a criança era vítima de uma rotina de violência há pelo menos nove meses, onde morava, em Porto Real, Sul Fluminense.

Ela culpou a mãe da menina, Gilmara Oliveira de Farias, e a madrasta Brena Luane Barbosa Nunes, de quem é mãe. A criança morreu por causa dos espancamentos no Hospital Municipal São Francisco de Assis, no último sábado (24/4). Rosângela, Gilmara e Brena deverão responder por homicídio triplamente qualificado.

“Reclamei com a mãe dela (Gilmara) que ela (Ketelen) estava mexendo no leite. A mãe deu uma chinelada nela e a colocou de castigo. Nesse dia (sexta-feira 16/4), minha filha começou a beber e não se contentou com a punição que a mãe já tinha oferecido e bateu mais na garota, com um cabo desses de antena que ela dobrou em três para bater na criança”, contou Rosângela ao Metrópoles horas antes de ser presa como participante da violência contra a menina.

“As duas [Gilmara e Brena] têm culpa [pela morte de Ketelen]. Gilmara mandava minha filha bater na filha dela. Eu avisei a ela para não fazer isso, mas a própria mãe também batia. Eu não presenciava, porque sempre ficava quieta no meu quarto. A garota dormia numa caminha ao lado da minha mãe, que nos sustenta com sua aposentadoria”, relatou. Investigações da 100ª DP indicam que a criança teria sido espancada por ao menos 48 horas antes de entrar em coma, prossegue o portal.

Rosângela foi presa porque teria se omitido ao não impedir a violência contra Ketelen.

“Cada vez que uma delas entrava no quarto onde a criança estava era mais pancada. Ouvi baterem com a cabeça dela na parede, socos e chutes. Até que no terceiro dia a criança já estava com os olhos vidrados, passando mal, deitada. Eu avisei que não acreditariam na versão de queda ou de que uma viga de madeira caiu na criança, mas se eu falasse também seria espancada. Então, me calei”, confessa a “avó”.

Açoitada

O diretor administrativo do Hospital Municipal São Francisco de Assis, em Porto Real, Fábio de Souza Silva, revelou ao Uol que Ketelen Vitória tinha marcas impressionante pelo corpo.

De acordo com Fábio, além de a criança apresentar sangramento no crânio, havia marcas compatíveis com queimadura de cigarro e vergões pelo corpo. Ketelen estava também com um dos pulmões paralisados, supostamente em razão das agressões. A menina morreu seis dias após ser levada ao hospital, que a atendeu inicialmente.

Além dos danos irreversíveis ao pulmão e ao cérebro, que levou a menina ao coma por trauma cranioencefálico antes de ser levada ao hospital pelo Samu, o diretor do hospital afirmou que outros hematomas extensos da cabeça aos pés chocaram a equipe médica.

“Os vergões, semelhantes a chibatadas, como se tivesse sido açoitada, estavam distribuídos pelo corpo. Também havia marcas de queimaduras em vários pontos da pele”, relatou.

Segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, que investiga o caso, Ketelen foi espancada por, ao menos, 48 horas.

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