Por que está chovendo tanto no Brasil em 2022?

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Por que está chovendo tanto? O início de 2022 tem sido marcado por chuvas constantes em na maior parte do Brasil. De acordo com pesquisadores, os fatores naturais do verão combinados com o fenômeno La Niña e um Atlântico Tropical mais quente explicam, em parte, o volume de chuvas que causaram – e seguem causando – diversos transtornos no país. 

Na Bahia, Minas Gerais, Tocantins e agora São Paulo e Rio de Janeiro houve perdas de produtividade, dificuldade nos trabalhos de campo, falta de radiação solar entre outros problemas que preocupam produtores e agricultores. Assim como inundações, alagamentos, deslizamentos, rompimentos de represas e barragens, que já deixaram dezenas de mortos e milhares de desabrigados. 

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Verão 2021/2022 está mais chuvoso do que o ‘normal’, afirma Alexandre Nascimento, meteorologista da Rural Clima (Foto: Thinkstock)

De acordo com Alexandre Nascimento, meteorologista da Rural Clima, o  verão é sempre o período mais chuvoso no Sudeste, Centro-Oeste e parte do Norte e Nordeste. “Somem-se a isso a presença da La Niña e um Atlântico Tropical mais quente do que o normal – essa combinação favorece a formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS)  e mantém a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) próxima à costa norte do país”.

Nascimento afirma que em dezembro, as chuvas mais intensas ocorreram na Bahia, no norte de Minas Gerais, no Tocantins, no Mato Grosso e no norte de Goiás. Agora, em janeiro, em quase todo o Sudeste e Centro-Oeste brasileiro, além de mais uma vez no Tocantins. “Falando em verão propriamente dito que só temos três semanas, está chovendo mais do que o normal nesses estados”, afirma o meteorologista.

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Corroborando com o Nascimento, Willians Bini, meteorologista e head de agronegócios da Climatempo, explica que quando existe a combinação de vários fatores meteorológicos, como a região Amazônica que tem muita floresta, calor e umidade, isso potencializa e alimenta a formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS).

“O normal é ela ficar na região Sudeste. No final de 2021, vimos uma condição de ZCAS bastante significativa com chuvas fortes pegando o oeste e sul da Bahia, onde prejudicou muito a agricultura. Agora, essa Zona de Convergência está um pouco mais ao sul, pegando principalmente a região do Triângulo Mineiro, região metropolitana de Belo Horizonte e a Zona da Mata, chegando até ao Rio de Janeiro”, diz o meteorologista.

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Bini explica que é normal termos períodos fora do padrão, porque sabe-se que nenhum verão será igual ao outro, assim como qualquer estação. São fatores naturais que, quando combinados, ocasionam essas mudanças. “A Zona de Convergência é comum durante o verão, mas não é todo verão que ela é tão ativa, nem que provoca transtornos”.

“A Zona de Convergência é comum durante o verão, mas não é todo verão que ela é tão ativa, nem que provoca transtornos””

Willians Bini, meteorologista e head de agronegócios da Climatempo

O especialista afirma que estamos em um momento onde, possivelmente, teremos mais Zonas de Convergência do Atlântico Sul atuando durante o verão. “Isso vai causar mais condições de transbordamentos, deslizamentos como nós estamos vendo, mas não quer dizer que teremos só catástrofes daqui para frente, afinal cada ano tem características próprias”.

Minas Gerais e Bahia

Um dos estados mais afetados pelas constantes chuvas é Minas Gerais. Em entrevista à rádio CBN nesta terça-feira (11/01), o governador do estado, Romeu Zema (Novo), afirmou que o estado “vive um cenário de guerra”. De acordo com a Defesa Civil Estadual, 145 cidades estão em situação de emergência e 17 mil pessoas estão desabrigadas ou desalojadas. Até o momento, 19 mortes foram confirmadas pelo Corpo de Bombeiros.

Na Bahia, os últimos dados da Superintendência de Proteção e Defesa Civil da Bahia (Sudec) apontam 850.424 pessoas atingidas de alguma forma pelos temporais. De acordo com apuração do portal G1, são 26.607 desabrigados, 61.516 desalojados, dois desaparecidos, 520 feridos e 26 mortos. Além disso, 165 municípios estão com decreto de situação de emergência.

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