Ouça o pedido de ajuda após desmoronamento que matou 9 em Altinópolis (SP)

Sem titulo 341

A equipe de reportagem do SBT Ribeirão Preto teve acesso ao áudio (ouça acima) da ligação do pedido de resgate, após o desmoronamento da gruta Duas Bocas, na cidade de Altiópolis, no interior paulista. A ligação do pedido de ajuda foi na madrugada de 31 de outubro.

Nove pessoas morreram no incidente, entre instrutores e bombeiros civis. Eles estavam fazendo um treinamento de técnicas de busca e resgate de pessoas em cavernas. 28 pessoas estava no local, destas 10 ficaram completamente soterradas. Das vítimas, Walace Ricardo da Silva e Antônio Marcos Caldas Teixeira foram resgatados com vida. Marcos foi levado para a Santa Casa de Batatais, recebeu alta e agora aguarda por uma cirurgia.

Um dos sobreviventes, Wellington Lucato, conta ao bombeiro no telefone o que estava acontecendo.

Ele não soube dizer onde estava exatamente, mas conseguiu utilizar o aplicativo WhatsApp para enviar sua localização ao Corpo de Bombeiros. 

O treinamento aconteceu na tarde de sábado (30.nov) e estava previsto que os alunos passariam a madrugada acampados na caverna. 

Leia abaixo a transcrição do pedido de resgate feito aos Bombeiros:

Corpo de Bombeiros – Bombeiros, emergência.
Wellington Lucato – Oi, boa noite, é… a gente tava fazendo um treinamento e houve uma tragédia aqui, metade da equipe está soterrada, a gente precisa de apoio.

CB – Pera aí, deixa eu entender. Qual o seu nome?
WL – Meu nome é Wellington.

CB – Wellington, de que cidade você está falando?
WL – Eu tô em Altinópolis, eu tô em uma caverna.

CB – Altinópolis?
WL – Isso.

CB – Certo, é… então você está no rural, então?
WL – Exatamente.

CB – Certo, você está, tem celular, tem sinal de celular aí?
WL – Esse aqui foi o único que a gente conseguiu até agora, a gente conseguiu sair da caverna e tá indo buscar apoio.

CB – Tá, vamos fazer o seguinte. Então você não está no local do soterramento? No momento.
WL – No momento não, eu saí para pedir apoio.

CB – Tá, passa pra mim o local do soterramento aí, como é que é, como que chama?
WL – Exatamente o local eu não sei, eu to saindo aqui na pista, a gente está em Altinópolis, não sei se essa caverna chama Caverna do Itambé, não sei agora o nome dela, eu sou de Jardinópolis.

CB – Caverna do Itambé?
WL – É, eu não sei o nome certo, eu acredito que seja isso…

CB – Certo, quantas pessoas são?
WL – Ó, a gente tava em 23 pessoas, umas 12, 13 soterradas ficou.

CB – 12, 13 pessoas soterradas?
WL – Positivo.

CB – Rapaz… vamos lá. É, eu tenho que conseguir uma forma de te encontrar aí pra você conduzir então a equipe até o local.
WL – Ó, a gente tá…

CB – Vamos lá, vamos tentar uma forma mais rápido e mais precisa, eu vou te passar um número de telefone, você tem como mandar a localização pelo WhatsApp?
WL – Positivo.

CB – Então vamos lá.
WL – [falando com alguém] Se eu parar eu atolo, para aqui, para o carro aí, acende a luz do carro, tem caneta aí? Pega a caneta aí.

CB – Vamos lá que nós vamos fazer um negócio aí pra gente facilitar a situação.
WL – Pode falar o número.

CB – Você vai mandar pra mim a localização em tempo real.
WL – Positivo.

CB – Não, não, em tempo real não, a fixa, que aí é melhor, que aí enquanto você se movimenta, eu te acho, continua movimentando também. Então hora que você entrar no WhatsApp, me manda a localização fixa e não desliga ai, vou colher mais algumas informações. Então é Wellington, você está em Altinópolis, provavelmente é a Caverna do Itambé. São 23 pessoas, dessas 23, você acha que umas 12 estão soterradas.
WL – Mais ou menos umas 12 estão soterradas.

CB –  Tá, e como é que foi lá? Vocês estavam fazendo o que lá?
WL –  A gente estava fazendo um treinamento dos bombeiros.

CB – Do bombeiro?
WL – É, a gente é bombeiro civil.

CB – Ah, mas vocês estão pela ESB?
WL – Não, a gente estava fazendo pela Real Life.

CB – Real Life? Bombeiros civis. De qual cidade?
WL – Então, a gente juntou. Tinha gente de Franca, de Batatais, de Ribeirão, de Jardinópolis, entendeu?

CB – Ah, são várias escolas junto?
WL – Positivo. Quem tava comandando era o Celso e ele inclusive tá soterrado.

CB – Celso? Ele é bombeiro?
WL – Isso, ele é bombeiro. Celso Junior

CB – Celso Junior?
WL – da BUSF.

CB – Junior da BUSF? BUSF é sobrenome ou é alguma empresa?
WL – Não, é o Bombeiros Unidos lá, Sem Fronteiras, é uma entidade.

CB – Bombeiros Unidos Sem Fronteiras. Certo, e aí da caverna, o teto da caverna caiu, foi isso?
WL – Positivo. Houve um desmoronamento lá e o pessoal estava sentado embaixo, repousando e ficaram soterrados.

CB – Certo, o pessoal estava descansando então?
WL – Exatamente.

CB – Tá, então vamos fazer o seguinte. Eu já colhi bastante informação aqui pra gente poder deslocar o pessoal aí. Agora eu vou desligar a ligação e você faz um favor pra mim, manda pro WhatsApp, insere aí o nosso número que eu te passei e manda sua localização fixa pra mim.
WL – Agora.

CB – Tá, faz essa gentileza pra mim.
WL – Pode deixar.

CB – O seu número que você tá me ligando é o final 2104 né?
WL – Esse aí mesmo.

CB – Certo, e provavelmente a caverna é a Caverna do Itambé?
WL – Provavelmente sim, eu não sei o nome dela.

CB – Tá, e como que chama o local lá? Vocês tem um outro nome específico, que vocês conhecem?
WL – Não tem, entra na mata, 1 km de trilha e chega no local.

CB – Certo, beleza então, vou aguardar você mandar a localização pra mim.

CB –  Isso.
WL – Beleza, tô te mandando aí.

CB – Beleza, tô no aguardo.
WL – Beleza, tchau.

Os motivos do desmoronamento estão sendo investigadas pela Polícia Civil. 

OUÇA:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.