O técnico que perdeu o emprego após escalar o filho de 12 anos para jogar em time

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E sua escalação precoce acabou tirando o emprego do seu técnico… e pai.

Isso mesmo, o jogador mais jovem de todos os tempos a disputar uma partida profissional de futebol era simplesmente o filho do treinador, que não apenas resolveu colocá-lo para jogar em uma idade das mais incomuns, como lhe deu a camisa 10 do Club Aurora.

Três dias antes de Mauricio completar 13 anos, seu pai, o ex-jogador Júlio César Baldivieso, que disputou a Copa do Mundo-1994 e é um dos nomes mais importantes da história do futebol da Bolívia, resolveu presenteá-lo com a ida para o banco de reservas do confronto contra o La Paz, válido pela primeira divisão nacional.

O garoto já treinava eventualmente com os adultos desde que tinha dez anos. No entanto, ninguém no clube acreditava que o treinador teria a audácia de utilizá-lo tão cedo, especialmente em um jogo que valia três pontos.

Mas, mesmo perdendo por 1 a 0 e diante da incredulidade de torcedores, jornalistas e até mesmo dos outros jogadores, Júlio César mandou seu filho a campo aos 36 minutos do segundo tempo da partida contra o La Paz.

O resultado foi catastrófico. O Aurora não conseguiu buscar o empate e saiu de campo derrotado. Pior: Mauricio levou uma forte porrada no tornozelo (possivelmente motivada pelo adversário ter se sentido menosprezado com sua escalação) e terminou a partida chorando.

Apesar dos elogios de Baldivieso pai ao comportamento e à atuação do filho, o uso do adolescente de um jogo profissional pegou muito mal. A imprensa acusou o treinador de estar tentando favorecendo um familiar e também de ter colocado a saúde do garoto em risco.

A diretoria do Aurora também não gostou nem um pouco do comportamento do treinador e proibiu que Mauricio voltasse a ser escalado naquela edição do Campeonato Boliviano. Julio César se revoltou com a decisão dos seus superiores e pediu demissão do cargo.

Ele retornou ao clube dois anos mais tarde e novamente colocou o filho para jogar. Mas aí, como o rebento já era um adolescente de 15 anos, a polêmica foi bem menor.

Em 2012, aos 16, Mauricio se tornou o jogador mais jovem de todos os tempos a marcar um gol na Copa Sul-Americana (balançou as redes contra o Cerro Largo, do Uruguai). Só que, no fim da temporada, foi embora do Aurora junto com o pai.

Eles voltaram a trabalhar juntos no Nacional de Potosí (2013) e no Universitario (2015). Em 2016, pelo Jorge Wilstermann, o recordista conquistou com o Jorge Wilstermann o único título da sua carreira, de campeão boliviano.

Mas, no ano seguinte, Mauricio disputou sua última temporada como profissional. Desde o fim do seu contrato com o San José, na virada de 2017 para 2018, o hoje homem de 25 anos não arranja um clube para jogar.

Já seu pai continua trabalhando normalmente como treinador. Nos últimos anos, ele dirigiu as seleções da Bolívia e da Palestina, passou pelo futebol venezuelano e teve uma nova passagem pelo Aurora. Seu último emprego foi no comando do Palmaflor, novato da elite do seu país-natal, entre janeiro e março deste ano.

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