"Não derramou uma lágrima", diz advogada de condenada a 56 anos por matar grávida e tirar bebê do ventre com estilete

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O crime aconteceu em Canelinha (SC), em agosto de 2020, mas a sentença de Rozalba Maria Grime, 27 anos, só foi determinada nesta quinta-feira (25). Em entrevista exclusiva à CRESCER, a advogada de defesa disse que ela nunca demonstrou arrependimento pelo que cometeu

“Vamos recorrer, sim, por entender que os jurados a julgaram em sentido contrário às provas dos autos, além da dupla condenação, somado às nulidades que se perpetuam, agravam no tempo”, afirmou Bruna dos Anjos, advogada de defesa, em entrevista à CRESCER, após a sentença. Rozalba Maria Grime, 27 anos, foi condenada a 56 anos e 10 meses de prisão pela Justiça de Santa Catarina, na madrugada desta quinta-feira (25). 

“Rozalba inaltera seu comportamento. Para ela, [a condenação] é indiferente. Ela demonstrou-se indiferente, não derramou uma lágrima. Ela só visa os benefícios”, declarou a advogada, quando questionada sobre a reação da cliente ao ouvir a sentença.

A audiência de júri popular começou na manhã desta quarta-feira (24) e terminou por volta da meia-noite desta quinta (25). Sete pessoas foram ouvidas durante o julgamento, além do interrogatório da ré. A sessão foi acompanhada por um pequeno grupo de familiares da vítima. Rozalba admitiu ter matado Flávia Godinho Mafra, 26 anos, que estava grávida, e retirado, de forma brutal, o bebê do seu ventre. O crime aconteceu em agosto de 2020, em Canelinha. Desde então, ela está presa no Complexo Penitenciário de Florianópolis. 

De acordo com Tribunal do Júri de SC, Rozalba foi condenada pelos crimes de feminicídio qualificado por motivo torpe, com emprego de meio cruel, mediante dissimulação e para encobrir outro delito. Também por tentativa de homicídio qualificado pela impossibilidade de defesa. A ré foi condenada, ainda, por ocultação de cadáver, parto suposto, subtração de incapaz e fraude processual. “Ela não poderá recorrer dos crimes em liberdade”, informou o TJSC.

“Em contrapartida, entendemos que o Ministério Público conseguiu representar a sociedade de Canelinha e acalentar seus corações com a condenação de Rozalba em todos os tipos penais da denúncia, inclusive, com a permanência da qualificadora pertinente ao crime do homicídio tentado contra o neonato, a qual ele próprio [MP] pediu a retirada, mas que o juiz, ainda assim, não a excluiu”, disse a advogada.

Saúde mental prejudicada

Em junho deste ano, a advogada disse que Rozalba estava “surtando” na prisão e que tinha pensamentos suicidas. Hoje, ela afirmou que a defesa continuará lutando por tratamento. “Rozalba estava em tratamento psicológico. A defesa solicitará a continuidade do mesmo e buscará, cada vez mais, conectá-la com o mundo da psiquiatria e da psicologia”, declarou.

“Sobre o estado mental, Rozalba fala em suicídio, pois ela não admite que ninguém tire a vida dela. Ela pensa: ‘Antes de alguém me matar, antes de alguém me ferir ou me humilhar, eu faço isso. Eu não vejo ela sentindo tristeza pelo que fez. Ela não exterioriza nenhum tipo de preocupação. Ela não fala em culpa, arrepedimento ou remorso. Não é esse o sentido quando ela fala em pensamentos suicidas”, esclarece.

Relembre o crime

O crime chocou o país, principalmente os moradores de Canelinha, na Grande Florianópolis. Flávia estava grávida de 36 semanas quando desapareceu, depois de sair com uma amiga para ir a um chá de bebê, na tarde de quinta-feira, 27 de agosto. Depois disso, ela não voltou e nem respondia a ligações ou mensagens. Segundo a Polícia Civil de Santa Catarina, à noite, a amiga, que tinha dado carona a ela, foi até um hospital, afirmando que havia tido o bebê na rua. A equipe do hospital, no entanto, desconfiou e acionou a polícia, já que o bebê tinha cortes nos braços e nas costas e a mulher não tinha nenhum sinal de ter passado por um parto recente.

O corpo de Flávia foi encontrado em uma fábrica de cerâmica abandonada. A vítima e a autora do crime possuíam laços de amizade. Em razão disso, a autora convidou a vítima para um suposto chá de bebê, em Canelinha, como pretexto para roubar a criança. “Durante o trajeto, ela desviou e entrou numa cerâmica abandonada. Ali, se armou com tijolo e desferiu os golpes na cabeça da vítima, fazendo com que ficasse inconsciente. Depois, de posse de um estilete, abriu o abdômen da vítima e retirou a criança de seu ventre, indo para a via pública e simulando um parto espontâneo, natural, como se estivesse estourado a bolsa dela”, explicou o delegado Paulo Freyesleben e Silva, na época.

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