Mulher dá à luz segunda maior bebê da história, com quase 6 quilos

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Crianças muito grandes podem ter dificuldades para nascer e indicar problemas gestacionais

O Reino Unido registrou o nascimento do segundo maior bebê de sua história, segundo os jornais locais. Emília nasceu no dia 16 de abril, em Oxfordshire, na Inglaterra, com 5,8 kg. Quando Amber, 21, entrou na sala de parto, os médicos ficaram chocados com o tamanho da barriga. A suspeita era de que ela não estaria esperando apenas um bebê, mas talvez dois. No entanto, Cumberland deu à luz um bebê macrossômico, como são conhecidos os recém-nascidos que chegam ao mundo com mais de 4,5 kg. Em média, os bebês nascem pesando entre 2,8 kg e 3,5 quilos. Emília é um bebê saudável, mas a mãe, que passou por uma cesárea de emergência, ainda não consegue pegar a filha no colo por conta do excesso de peso. Bebês muito grandes podem dificultar a gestação e indicar problemas, como diabetes gestacional.

“As pessoas acham lindo quando nasce um bebê grande, ‘criado’, ‘bebê de novela’, mas, provavelmente, não é um bebê saudável. A principal complicação já nas primeiras horas de vida é a hipoglicemia, que pode ser grave. O bebê fica hipoativo, sonolento e não consegue mamar”, alerta, explica a obstetra Priscila Gapski, professora da Faculdade Pequeno Príncipe, em Curitiba (PR), em entrevista a CRESCER. 

“Além disso, existem as complicações do parto. Bebês muito grandes podem ter dificuldade para nascer de parto vaginal e podem ficar com o ombro preso na hora da passagem pelo canal (distocia de ombro), o que é considerado uma emergência obstétrica por potencial risco à vida do bebê por hipóxia (quando cai a concentração de oxigênio). Além disso, ele pode não progredir na descida pelo canal do parto, a chamada desproporção cefalopélvica.”

A especialista ressalta que quando o bebê tem mais de 4,5 quilos, uma cesariana pode ser indicada. Foi o que o houve com a mãe de Emília. O trabalho de parto de Amber durou 24 horas. “Cheguei a oito centímetros de dilatação e ela não poderia ir mais longe – se ela descesse mais, eles não seriam capazes de fazê-la subir de volta e ela teria ficado presa. Durante a cesariana, foram necessárias duas pessoas para retirá-la e uma para segurar”, contou Amber.

A gestação

“”Os músculos do meu estômago se dividiram completamente a ponto de os médicos mal conseguirem distingui-los durante a cesariana e disseram que nunca tinham visto algo assim. Eu também tinha uma dor terrível no nervo ciático, além de nervos comprimidos nos quadris e nas pernas. Por causa do peso dela, não conseguia nem rolar na cama sem Scott (o marido) para me ajudar”, lembra a jovem.

A obstetra Priscila Gapski ressalta que, para a mãe, uma gestação de um bebê muito grande traz desconforto e dores maiores que o normal e ela pode ter falta de ar pelo tamanho excessivo do útero. “O parto de um bebê muito grande pode machucar os músculos e os nervos do assoalho pélvico, enfraquecendo-os e podendo acarretar incontinência urinária, incontinência fetal, prolapso de bexiga (cistocele), prolapso da parte final do intestino (retocele) ou prolapso de útero. Além de causar lacerações no períneo que podem gerar cicatrizes dolorosas, que podem atrapalhar inclusive na atividade sexual”, alerta.

A mãe inglesa diz que chegou a tentar remédios caseiros para induzir o parto, tamanhas dores que sentia nas últimas semanas de gestação. “Eu estava tão desesperada para tirá-la que tentei de tudo. Comi meio quilo de abacaxi cru, usei óleos essenciais e sais de banho, até mesmo acupressão. Fiz qualquer coisa que li on-line que pudesse ajudar.”

Ela também fala das estrias. “A protuberância era tão grande que fiquei com muitas estrias e minha pele estava tão fraca por ter sido esticada que elas sangrariam se eu me levantasse rápido demais.”

Agora, Amber terá que fazer fisioterapia para ajudar a reestabelecer seus músculos estomacais gravemente divididos. “Eu ainda tenho um pedaço de pele completamente dormente ao redor do meu umbigo, onde os nervos simplesmente desistiram. Devido aos danos nos músculos da barriga, os pontos não têm suporte e tenho que ter muito cuidado. Não posso pegar Emília no colo ou amamentá-la porque ela é muito pesada e não há proteção para meus órgãos.” Ainda assim, o casal está se adaptando e se diz muito feliz com sua primeira filha.

Além da diabetes gestacional, outros fatores podem interferir no peso de nascimento dos bebês, entre eles: obesidade e hipertensão materna, uso de drogas e tabagismo e o estado da placenta. Para evitar problemas, é essencial o acompanhamento médico e nutricional durante todo o pré-natal. 

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