Mulher briga com prefeito e é algemada por ele próprio em cidade no RS

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Uma briga envolvendo o prefeito de Cerro Grande do Sul, Gilmar João Alba (PSL), terminou com uma mulher algemada por ele próprio neste domingo (14). Ela foi levada para prestar esclarecimentos na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de Camaquã, a 130 km de Porto Alegre no RS. A Polícia Civil vai investigar o caso.O prefeito afirmou à RBS TV que foi agredido e que agiu desta maneira para evitar mais violência.

“Por legítima defesa, poderia ter feito uma desgraça. Mas eu me contive, segurei tudo, aceitei todas as agressões, mesmo que me machucaram, me bateram, me jogaram em um buraco”, disse à reportagem.

Segundo a delegada plantonista Vivian Sander, a mulher foi apresentada pela Brigada Militar (BM). Ela relatou à polícia que trabalhadores carregavam areia em caçambas para uma obra particular do prefeito, o que causaria transtornos aos moradores da região.

“Os filhos dela têm problemas de saúde, em que a poeira é prejudicial, e que hoje, como era domingo, imaginou que não haveria movimento. Como havia [rotina de trabalho], conversou com um motorista, e ele disse que não haveria problema de passar por outra rua. Mas acredita-se que ele conversou com o prefeito, que não concordou, foi até a residência desta senhora e acabou brigando com o marido dela”, relata a delegada.

“Ninguém veio para mim e disse que está tendo problema de poeira. Quando eu cheguei no destino, simplesmente saiu uma mulher, e um camarada veio já me agredindo. Eu dei voz de prisão nele, ele ameaçou ir buscar uma arma, porque disse que, se o prefeito tem arma, ele também tinha. Quando ameaçou, eu esperei, ele retornou com uma madeira e me deu uma paulada na cabeça. Enquanto isso, a mulher veio, me rasgando toda a camisa, me rasgando todo e me chamando de tudo que foi nome feio”, relata Alba.

Na briga, a mulher tentou intervir e o prefeito a algemou. “Como prefeito, por si só, não tem [prerrogativa de prender alguém]. Em princípio, qualquer pessoa pode fazer o flagrante, mas não vou entrar no mérito se era o caso ou não”, afirma a delegada.

“Não sou de me esconder. Eu vou a público e respondo por todos meus atos errados. Se eu fiz errado em ter prendido a mulher que tava querendo causar uma desgraça, eu vou pagar por isso”, diz o prefeito. “Não sei se eu fiz certo ou não botar a algema em uma mulher, mas o que passei sozinho com mais de 30 olhando e oito ou 10 me batendo, aí tive que fazer isso aí.”

Após a briga, a BM foi acionada. “A Brigada Militar, logicamente, retirou as algemas dela e levaram à delegacia de Cerro Grande do Sul, que não tem regime de sobreaviso. O prefeito e o marido, que se envolveram na briga, tampouco foram apresentados”, diz Vivian.

Conforme a delegada, a mulher tinha lesões leves e será encaminhada para a perícia para verificar a extensão dos machucados. O caso será investigado pela delegacia de Cerro Grande do Sul.

“Ele [o prefeito] vai ser intimado a se apresentar na terça-feira (16), porque isso vai para a delegacia de origem. É um caso grave, mas não um caso que exija diligências prévias. Pode aguardar até terça-feira, sem problema nenhum”, esclarece a delegada.

Este não é o primeiro caso policial envolvendo Alba. Em agosto deste ano, a Polícia Federal apreendeu R$ 505 mil com ele no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. A quantia estava em uma caixa dentro da bagagem levada pelo prefeito e que foi detectada pelo aparelho de raio-x do terminal.

Segundo a PF, ele atestou não saber o valor que carregava, para depois dizer que levava R$ 1,4 milhão. Sem explicitar de onde vinha o dinheiro, o prefeito só teria afirmado que a quantia tinha origem lícita.

Depois disso, em 6 de setembro, a polícia fez buscas na casa do prefeito. A ordem de busca e apreensão foi expedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

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