Moto guardada por 34 anos em SP permanece 0 km e é proibida de rodar

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Na segunda metade dos anos 1980, a Honda CB 450 era sonho de consumo dos entusiastas de motocicletas no Brasil, antes da abertura do mercado aos modelos importados. Um exemplar de 1987 permanece zerado, com apenas 44 km rodados no painel, após passar décadas estacionado em uma garagem da capital paulista.

Exibindo pintura, grafismos e mecânica originais, a CB 450 TR foi garimpada há cerca de um mês pelo negociante de veículos antigos e pouco rodados Reginaldo Gonçalves, o Reginaldo de Campinas. A moto vermelha aguarda por um novo dono, embora não possa rodar em vias públicas.

Gonçalves explica que a CB recebeu placas amarelas e, para ser emplacada no padrão atual, teria de passar por uma atualização cadastral.

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“Precisa fazer o pedido ao Detran Departamento Estadual de Trânsito] e o processo é caro e demorado. Acredito que daria muito trabalho para depois não usar a moto. Ela é zero, tem de preservá-la assim. Ficaria bem como peça de decoração na sala de casa”, opina Reginaldo, que prefere não divulgar o valor que pretende receber. Nossa reportagem localizou duas unidades do mesmo ano, ambas com cerca de 40 mil km rodados e anunciadas por R$ 15 mil.

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Como outros veículos de sua época que volta e meia surgem zerados ou com rodagem baixa, a CB 450 TR foi adquirida como uma espécie de “poupança” contra a hiperinflação que afetava o País 34 anos atrás. Conforme Gonçalves, a Honda foi tirada em um consórcio como forma de “investimento”. “O primeiro dono terminou de pagar o consórcio sem nunca ter andado na moto, que até hoje quase não rodou. Ele faleceu em 2003 e a 450 TR ficou com a mesma família até este ano, quando um amigo adquiriu a motocicleta.

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Segundo o comerciante, esse amigo fechou negócio ” no impulso” e pouco depois resolveu passar a CB adiante, justamente por conta da impossibilidade de rodar com ela. Reginaldo acabou adquirindo a moto e diz que, apesar do longo tempo em que permaneceu parada, não foi preciso fazer muito para deixá-la em condições de rodar – ainda que isso dificilmente vá acontecer, pois isso reduziria e muito seu valor de mercado. “Fiz apenas uma revisão básica, que incluiu limpeza de carburador e reparo na torneira de combustível. Tudo nela está funcionando”.

Legalização de placa amarela costuma demorar

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Reginaldo de Campinas tem um VW Fusca 1974 com 31 mil km rodados que até hoje exibe as placas amarelas. Embora combinem com carros e motocicletas antigos, essas chapas, com apenas duas letras, deixaram de ser emitidas em 1990 e rodar com elas hoje é ilegal. Por conta disso, e por se tratar de um carro usado, ele solicitou em fevereiro a atualização do cadastro do Fusca ao Detran, no caso o de Minas Gerais, Estado de registro do veículo, com a emissão do respectivo Renavam – que passou a vigorar juntamente com a placa cinza, há quase 32 anos.

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A expectativa é de que o processo seja concluído apenas neste mês, diz. “Para legalizar, o ideal é ter a nota fiscal de quando o veículo foi adquirido zero-quilômetro. Aí fica muito mais fácil e rápido”. Como ele não tem a nota, a saída foi comprovar que o Volkswagen já foi emplacado anteriormente no padrão amarelo.

“Nesse caso, é necessário apresentar algum licenciamento antigo ou recibo de compra e venda da época”, complementa.

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