Mães cansadas, mulheres esgotadas física e psicologicamente. O que fazer?

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A pandemia atingiu a todos, mas alguns têm sofrido mais. É o caso das mulheres, especialmente das mães.

O trabalho da maternidade, que não já era fácil antes, tornou-se ainda mais difícil. As demandas domésticas cresceram exponencialmente e novas habilidades foram exigidas, como, por exemplo, aprender a lavar as compras ao chegar do mercado ou desinfetar corretamente os sapatos que chegam das ruas.

Novas funções foram assimiladas, entre elas a de professora, tendo em vista que as escolas apenas deslocaram o ambiente de aprendizado para o mundo virtual, mas deixaram a cargo das mães a tarefa principal de fiscalizar e auxiliar as crianças de casa a aprenderem de fato.

O trabalho emocional das mães

Se antes o trabalho fora ocupava o espaço “sem filhos” e de possibilidade de concentração, após a pandemia esse espaço deixou de existir.

O trabalho fora e o doméstico passaram a conviver em uma disputa constante para saber quem cansa mais a mãe. Reuniões virtuais se aglomeraram pelo caminho, enquanto as crianças gritavam do lado de fora pedindo por atenção. Uma boa forma de reconhecer se há uma mãe em uma reunião é o microfone sempre desligado. Infelizmente, o mercado de trabalho não aguenta muito tempo os sons da maternidade.

O fato é que as mães estão ainda mais esgotadas, pois além de todas as tarefas do dia a dia, existe ainda um trabalho emocional que é feito, quase sempre, por elas.

Consolar os filhos quando eles estão frustrados, tristes, com medo, aguentar os desabafos do marido sobre o chefe, ajudar as crianças a entenderem que 1 +1 é igual a 2, sem cair na tentação de dar a resposta pronta para acabar logo com aquilo.

Além do amparo emocional, intelectual e do esforço físico, há ainda a carga mental envolvida em todos esses processos. Não é fácil ser mulher. Não é fácil ser mãe. Não basta colocar o rolo de papel higiênico no banheiro para todos poderem usar, tem que lembrar que o papel higiênico está acabando, tem que fazer a lista de compras.

A mente de uma mãe nunca para. Pensa que acabou? Tem mais.

Muitos familiares não entendem a quantidade de trabalho envolvido na gestão de uma casa, mesmo morando nela. Não é só acompanhar as aulas da criança, é saber as datas de prova, é ajudar na lição de casa, é dar suporte emocional na hora que o filho chora para não entrar na aula online.

Não é só fazer o almoço. É pensar no cardápio do dia, é comprar os ingredientes, é lavar a louça depois. É deixar o feijão de molho no dia anterior para ter a leguminosa à disposição para comer, no dia seguinte.

Tudo isso esgota qualquer ser humano. Mesmo que as pessoas tenham o mau hábito de achar que mães são sobre-humanas, elas não são. Só precisam ir executando tarefas sem fim, pois alguém tem que fazer. E isso acaba com a saúde emocional das mulheres.

©Luis Galvez/Unsplash

Depressão, estresse, ansiedade e… pobreza

Não à toa elas foram as mais afetadas emocionalmente pela pandemia. Um estudo feito pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP mostrou que as mulheres responderam por 40.5% de sintomas de depressão, 37.3% de estresse e 34.9% de ansiedade.

A pandemia deixou as mulheres mais vulneráveis economicamente também.

Um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostrou que cerca de 13 milhões de mulheres na América Latina ficaram sem emprego, em função da pandemia. A participação feminina no mercado encolheu e chegou ao menor patamar em 15 anos.

As dificuldades de conciliar trabalho e vida doméstica afetaram, principalmente, as mães, que, geralmente, já são afetadas por um mercado que não aceita sua maternidade.

O que fazer, então?

O cenário não é nada bom, mas ainda há um longo caminho até o fim da pandemia, de fato. Por isso, existem algumas formas de minimizar todo o estrago emocional, físico e mental que as mulheres mães estão sofrendo.

Entre as principais medidas, é importante que as mães consigam dividir a carga de responsabilidades, não somente da execução de tarefas, mas também emocional.

No caso das mulheres que moram com os companheiros (as), já é hora de realmente aplicar uma divisão de funções que seja mais justa, e essa iniciativa precisa partir das mulheres, pois é a elas que interessa mais.

Para aquelas que cuidam dos filhos sozinhas, é importante contar com uma rede de apoio, um familiar ou amiga de confiança para recorrer, quando precisar de ajuda. Além disso, é importante deixar claro para a família que precisa de um tempo para si e assumir esse momento como uma demanda urgente e inegociável.

Conversar sobre a situação com outras mães ou mesmo desabafar com aquela amiga também pode ajudar a aliviar a carga.

Evitar a cobrança excessiva por uma vida doméstica impecável, uma carreira brilhante e filhos perfeitos também é essencial.

Ninguém consegue isso.

Reconhecer seus limites, sua humanidade e amar-se são ferramentas que descomplicam um pouco esse turbilhão emocional que todos estão passando.

Cada um a seu modo, mas, como em todos os momentos da história, é nas costas das mães que a carga anda pesando mais.

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