Mãe desabafa após marido se negar a cuidar de filho com covid-19: "Ele gritou comigo e me chamou de todos os nomes possíveis&#

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Em um fórum online, a mulher relatou o descaso do companheiro com a saúde mental e o trabalho dela, além de responsabilizá-la pelos cuidados com a própria criança

As tarefas de casa, o trabalho e a responsabilidade de cuidar das crianças podem tornar a rotina extremamente exaustiva se não houver uma divisão justa de funções na família. No Mumsnet, um fórum virtual britânico sobre maternidade, uma mãe desabafou sobre o marido que se nega a cuidar do próprio filho.

O garoto havia testado positivo para covid-19 há pouco tempo e precisou se isolar por 10 dias, sem poder ir à escola. Diante da situação, os pais precisaram criar uma estratégia para conseguir cumprir suas funções no trabalho e não deixar o filho doente sozinho em casa. Para o pai, no entanto, a única responsável por cuidar do menino era a mãe.

“Tanto eu quanto o meu marido trabalhamos, ele em tempo integral e eu meio período. Sou professora, por isso não tenho acesso a dias de férias. A minha mãe, que normalmente cuida de crianças para nós, também testou positivo para covid”, contou a mulher no depoimento. Ela disse, ainda, que chegou a a pedir para que o marido tirasse alguns dias de folga, mas para ele era ela quem deveria cuidar de tudo. “Meu marido gritou, me chamou de todos os nomes possíveis como se a culpa fosse minha. Ele está sendo totalmente infantil e egoísta”, lamentou a mãe.

Ela também afirmou que todas as outras funções da casa ficam sob sua responsabilidade. Quando tenta explicar para o marido o quanto estas tarefas a sobrecarregam, ele justifica que não tem tempo, uma vez que seu emprego é integral – sem perceber a dupla jornada da mãe. “Assumi tudo como se eu não tivesse um trabalho fora de casa. Não consigo entender o lado dele”, desabafou.

Após a publicação, vários usuários do fórum online questionaram a posição desse pai que não se envolve nos cuidados do filho e da casa. “Seu marido não apoiar seu filho doente é terrível. Ele gritando e insultando você é ainda pior. Por que você está se relacionando com ele?”, questionou uma pessoa. “Ele não acredita que tenha qualquer responsabilidade de ser um pai para seu filho e está indignado com sua sugestão de que ele deveria cuidar de seu próprio filho?”, perguntou outra, perplexa com a situação.

Por mais absurda que pareça, cenas como essa se repetem em muitos lares. No Brasil, uma pesquisa elaborada pelo IBGE mostra essa realidade. Enquanto os homens se dedicam, em média, 10,9 horas por semana cuidando dos afazeres domésticos ou de parentes, as brasileiras empenham 21,3 horas, em média, nessas funções. A disparidade também aparece quando a jornada de trabalho é associada às tarefas de casa: enquanto eles trabalham 50,2 horas semanais, elas passam 53,3 horas por semana nessas atividades.

A psicóloga Rita Calegari, da Rede de Hospitais São Camilo (SP), é enfática ao afirmar: “Tiramos a mulher de dentro de casa, mas não tiramos a casa da mulher. Ela continua sendo responsabilizada pela manutenção da casa e cuidados com os filhos”, diz. E se ela decidir dar um tempo do mercado de trabalho para se dedicar à casa e aos filhos, essa conta parece ainda mais pesada, afinal, ela cumpre sozinha o papel de outras profissões, como cozinheira, babá, faxineira, cuidadora… “Ao colocar os custos dessas profissionais na ponta do lápis, temos a ideia do quanto esse trabalho é custoso. No entanto, como ele não é precificado, têm-se a impressão de que é simples de ser realizado. E o pior: nele não há limites, pois você não tem hora para começar ou acabar as mil e uma tarefas domésticas”, lembra Rita.

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