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Mãe de brasileira presa na Tailândia com cocaína morre vítima de câncer

Morreu nesta quarta-feira (16) a mãe de Mary Hellen Coelho a brasileira que está presa na Tailândia por tráfico internacional de drogas desde fevereiro. Thelma Coelho morava em Pouso Alegre e lutava contra um câncer.

Advogados da brasileira explicaram as dificuldades em manter contato com ela na prisão para informar sobre a morte da mãe. Até agora, a jovem de 21 anos só conseguiu se comunicar com a família por carta, que teria sido escrita por uma outra pessoa. Na mensagem, ela deseja saúde para a mãe .

Segundo a defesa de Mary Hellen, a comunicação entre a jovem e os familiares é feita por cartas porque a superlotação nas prisões da Tailândia e a pandemia de Cøvid-19 dificulta a realização de chamadas de vídeo.

“Difícil demais, demoram para responder. Até hoje a família não teve contato direto com ela. O contato é geralmente por e-mail, a resposta demora mais de 24 horas para chegar. Sempre dizem que estão fazendo o possível, mas não conseguimos avançar”, disse a advogada Talita Franco, que faz parte da equipe que defende a jovem.

Mãe lutou para ter contato com filha

A advogada Kaelly Cavoli Moreira, que também defende a Mary Hellen no Brasil, contou que a mãe lutou para ver a filha. “A Thelma, lutou com todas as forças para tentar ver a filha. Em razão do fuso horário é possível que o contato seja feito após o enterro. Já encaminhamos um e-mail para a embaixada e também estamos tentando contato com o Samut Prakan [a prisão em que se encontra Mary Hellen] para darmos a notícia de maneira mais respeitosa e sensível. Sem sucesso até o momento, acredito que em razão do fuso horário”, disse.

Carta para a família

Na semana passada, a brasileira enviou uma carta para os familiares que estão em Pouso Alegre. A informação foi repassada pelo advogado Telêmaco Marrace, é um dos profissionais que compõem a defesa da jovem.

Segundo o advogado, a carta foi escrita em inglês para facilitar o entendimento das autoridades locais. Ele disse que uma lei do país pune as pessoas que criticam o rei da Tailândia. A pena pode chegar a 15 anos de prisão.

“São vários presos de diferentes nacionalidades. Se cada preso escrever uma carta em seu idioma, dificultaria um pouco o acesso das autoridades para ter o conteúdo dessas cartas. Lá existe uma lei, chamada de Lei “lesa-majestade”. Nessa lei não tem como ninguém fazer qualquer crítica ao rei da Tailândia. Isso é levado severamente. Uma critica ao rei da Tailândia pode gerar uma pena de 15 anos”, explicou Telêmaco.

Mary Hellen fala da saúde da mãe

Na mensagem, ela fala sobre a saudade da família. A brasileira também disse que se sente melhor, mas que às vezes não consegue dormir.

“Eu estou pensando muito no meu caso. Eu não conseguia dormir de noite porque me preocupo muito. Obrigada por se lembrarem de mim e agradeço aos meus amigos por tentarem me ajudar com os advogados. Eu vou cuidar de mim. Tenho aqui dois amigos para me ajudarem. Eu estou muito melhor agora, espero ver vocês o mais rápido possível”.

Na carta, a jovem diz que espera que a mãe melhore logo e envia beijos e abraços carinhosos para familiares e amigos. Ela diz que espera que eles respondam sua carta e finaliza dizendo que vai sonhar com todos eles.

“Manda um beijo ao meu avô e para minha avó. Lembro de todos vocês no Brasil. Mãe, eu amo você tanto e espero que você melhore logo. Um grande obrigado a todos do Brasil por me ajudarem. Estou muito feliz agora. Espero que minha família e todos os amigos me respondam. Me faz sentir muito feliz e sorrir todo dia. Vou sonhar com vocês todas as noites”.

O advogado também informou que em breve haverá uma audiência preliminar com a jovem, mas ainda não há data confirmada. A defesa também reforçou que já encaminhou a documentação sobre o perfil de Mary Hellen. O objetivo é comprovar a idoneidade moral dela, reforçar o perfil de trabalhadora, além de provar que ela não possui envolvimento com tráfico de drogas.

Entrou no país de ‘mula’

Ainda de acordo com o advogado, a defesa acredita que a jovem tenha entrado como “mula” e não sabia da existência da droga dentro da mala. Para ele, a carta enviada para a família comprova que Mary Hellen está com a saúde física e mental íntegras.“A Mary Hellen entrou de ‘mula’, com possibilidades de não ter conhecimento do que levava”, afirmou.

Telêmaco acredita que ela apenas transportou a droga apreendida no aeroporto de Bangkok. Em entrevista ao g1, o advogado explicou como é feito o aliciamento de jovens para o tráfico de drogas. O foco são mulheres fragilizadas.

Estes garotos são aliciados pelos emissários dos grandes traficantes que ficam em ‘baladas’. Uma outra estratégia que utilizam é o chamado ‘Angel’, que funciona da seguinte forma: o emissário do traficante cria perfis no Tinder, Instagram e Facebook… É o ‘cara’. Jogam a isca e simulam uma paixão…Daí as garotas são convidadas para uma viagem internacional e eles enchem a mala com drogas no fundo falso. Muitas vezes as gurias entram numa fria e realmente são inocentes. E com os rapazes, a promessa é de vida boa…Carros, riqueza etc…”, explicou.

A família não sabia da viagem internacional e do suposto envolvimento dela com as drogas. Segundo Mariana Coelho, irmã de Mary Hellen, ela tinha informado que iria viajar para Curitiba, mas não contou o motivo. A irmã pensava que ela teria ido ao encontro de um possível namorado.

Entenda o caso

Mary Hellen Coelho Silva foi detida em fevereiro deste ano com outro brasileiro no aeroporto de Bangkok com 9 kg de cocaína. A droga estava escondida dentro de um compartimento oculto das três malas que eles carregavam. Outros seis quilos da droga estavam com outro suspeito, que foi preso horas depois. Os três são investigados por tráfico internacional de drogas.

O Itamaraty informou que, por meio da embaixada de Bangkok, acompanha a situação e presta toda assistência aos brasileiros.A Tailândia é um dos países onde o tráfico de drogas pode ser punido com pena de morte, dependendo da quantidade e das circunstâncias.

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