"Lambe minha bola”. Ex-PSL, internauta é denunciado por ataques a mulheres em app: ouça

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Uma discussão na sala de bate-papo da rede social ClubHouse, conhecida por ser exclusiva de áudio, acabou virando caso de polícia após um usuário proferir xingamentos contra uma participante. O caso ocorreu na noite do último domingo (8/8), mas foi registrado no 27º Distrito Policial de São Paulo na terça-feira (10/8).

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O ClubHouse é conhecido por permitir que inscritos abram salas temáticas e, com isso, outros internautas possam interagir entre si, caso o responsável – o moderador do espaço – permita. No caso específico do bate-papo, o usuário identificado como Hélio Rampazzo atacou mulheres após um desentendimento sobre uma terceira internauta.

O caso pode se tratar de um homônimo, uma vez que não há verificação sobre a autenticidade do nome adotado na ferramenta. Na gravação realizada por um dos usuários presentes, à qual o Metrópoles teve acesso, Rampazzo manda a participante “lamber a bola esquerda” dele, “onde é mais sensível”. Também classificou a mulher como “vagabunda” por defender a conhecida.

A usuária relata ter ingressado na sala de bate-papo para defender outra participante que estaria sendo difamada por Rampazzo em outros espaços de conversa virtual da plataforma. Ele teria classificado a terceira como “golpista” e, do mesmo modo, a chamado de “vagabunda”, sob justificativa de ter sido vítima de achaque.

“Não entrei no mérito das acusações, mas acredito que crimes precisam ser tratados pela Justiça e não numa plataforma aberta. Quando ponderei sobre isso, fui chamada de vagabunda e de outros nomes. Levei o caso para a polícia imediatamente”, disse a usuária que defendia a outra mulher. A pedido dela, o nome foi preservado, assim como a gravação distorcida para evitar a identificação.

Ouça o áudio:

Polícia

O 27º Distrito Policial de São Paulo registrou a queixa contra Hélio Rampazzo e o caso está sendo conduzido pelo delegado Marcelo Rocha dos Anjos. As investigações apuram sobre a possibilidade de “injúria”, conforme o boletim de ocorrência registrado.

“Comparece nesta Distrital a vítima informando que faz uso do aplicativo de conversa de voz ClubHouse, onde salas temáticas são criadas. Explica aqui um desconhecido com o nome no aplicativo de Hélio Freire Rampazzo, nome fantasia Doutor Anúncios, já está há algum tempo ofendendo uma mulher (amiga virtual da declarante) de estelionatária sendo que até mesmo criou um grupo com o título ‘A golpista medíocre do ClubHouse ataca novamente’. Informa ainda que este chegou a apresentar comportamento xenofóbico em grupos de refugiados do mesmo aplicativo”, informa a ocorrência policial.

“Esclarece que na data de ontem, ao defender esta sua amiga citada acima, dizendo ao autor que o que e fazia poderia ser um crime, este passou a ofender a vítima dizendo que era para ela lamber a sua bola esquerda, a chamou de vagabunda e de se colocar em seu lugar. Logo em seguida, o autor tirou a vítima do grupo criado por ele. A vítima explica que como estes eventos vêm ocorrendo há algum tempo e que outras mulheres do aplicativo se sentem ofendidas, vem por meio deste boletim registrar o ocorrido”, finaliza o registro.

Ex-PSL

O mesmo nome aparece como ex-filiado ao Partido Social Liberal (PSL), o mesmo que elegeu o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e onde ainda abriga parte de aliados do titular do Palácio do Planalto. Contudo, o militante acabou deixando a agremiação, no dia 3 de abril deste ano, após decisão do presidente Luciano Bivar, o qual também desfiliou outros inúmeros correligionários.

O mesmo nome também aparece como nomeado, em fevereiro de 2019, para um Cargo de Natureza Especial 10 na Liderança do PSL da Câmara dos Deputados. A ocupação era de livre provimento, sem vínculo com a Casa. Contudo, o portal da transparência do Legislativo não indica que o servidor ainda esteja em exercício.

O Metrópoles tentou contato, na quinta-feira (12/8), com os meios de comunicação disponíveis no banco de dados da Receita Federal e atribuídos ao suposto Helio Rampazzo. Um e-mail também foi encaminhado para confirmar se o caso se tratava do acusado ou de um homônimo, mas não houve resposta até a publicação da reportagem. O conteúdo poderá ser atualizado se houver manifestação oficial sobre o episódio.

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