Jovem que queria ser PM é morto a tiros em ação da polícia

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A Polícia Civil investiga a morte do jovem Samuel Vicente, de 17 anos, atingido em uma ação de policiais militares em Anchieta, na zona norte do Rio de Janeiro. O adolescente foi baleado quando chegava à UPA de Ricardo de Albuquerque, para onde socorria a namorada junto com o padrasto, também morto, em uma moto.

A PM alega que a equipe efetuou disparos após ser atacada. De acordo com a reportagem da TV Globo, Samuel era aluno de uma escola da Polícia Militar, o jovem sonhava ser policial e seguir a carreira na força que, segundo a mãe da vítima, tirou sua vida.

“O sonho dele era ser militar e usar farda. Queria tanto usar farda que a farda acabou matando eles”, disse Sônia Bonfim Vicente, mãe do adolescente.

Samuel estava na garupa da moto do padrasto, Willian Vasconcellos da Silva, quando socorriam namorada de Samuel para ser atendida na UPA. A jovem Camily da Silva Apolinário acabou sendo levada para o Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, onde segue internada com quadro estável. Há ainda uma segunda pessoa foi ferida na unidade, mas ela não foi identificada.

As armas dos policias foram apreendidas e passarão por exame pericial. Em nota, a PM informou que “os policiais faziam patrulhamento na região e foram atacados e que, com os suspeitos, foram apreendidos duas pistolas, carregadores, munições, um conversor para submetralhadora, dois rádios e material entorpecente”.

Material apreendido não aparece

O texto da resposta, no entanto, não indica quem são os acusados e com quem estava o material que teria sido apreendido, como aponta a reportagem. O caso está sendo investigado pela 27ª DP (Vicente de Carvalho), que segue ouvindo testemunhas. A Corregedoria da Polícia Militar também está investigando o caso.

“Eles estão falando que eles eram bandidos, mas não eram bandidos não. Que eles trocaram tiros. Mas se trocaram tiros, cadê o policial ferido? Não tem. E, se não tem, é porque não teve troca de tiros. Eles atiraram neles”, disse Sônia, que está recebendo apoio da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ)

“Que bandido no Rio anda com sua própria moto, no próprio nome? Que bandido anda no Rio com o enteado e com a namorada dele passando mal para acessar uma UPA? Que bandido no Rio estuda em uma escola da Polícia Militar? Porque o Samuel estudava na escola da Polícia Militar. Eles vão manter esta mesma narrativa? De novo? De que eram suspeitos, bandidos, três bandidos em uma moto e que eles atacaram os policiais? Não tem como”, afirmou Rodrigo Mondego, procurador da comissão.

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