Josué Gonçalves: ‘há muitos analfabetos conjugais’

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Se o assunto é família cristã, relacionamento a dois, casamento, o nome de Josué Gonçalves logo vem à mente. Há 10 anos, o pastor, escritor e terapeuta familiar, está no ar na RedeTV!, aos sábados a partir das 13h, com o programa Família Debaixo da Graça, um ministério que ele idealizou para prestar apoio aos casais. Assim, seja por meio de suas palestras, de seus livros, de seu site ou via TV, pastor Josué Gonçalves não desiste de acreditar no valor da família e na possibilidade de resgatar relações destruídas entre homem e mulher.

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Casado com Rousemary, pai de três filhos: Letícia, Douglas e Pedro, o mentor que se dedica a cuidar da união de casais tem muito a orientar. Tanto que produz vídeos semanais sobre variados temas. Mas é aqui no Pleno.News que Josué Gonçalves participa de uma entrevista exclusiva.

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Como foi a descoberta de que orientar casais seria seu foco de trabalho?
No ano de 1990, percebi nas igrejas uma necessidade muito grande de mais pessoas trabalhando na cura e na edificação das famílias. Nessa época, poucas igrejas tinham um ministério voltado para a área familiar. A partir daí, comecei a me sentir responsável por isso. Foi quando realizei o primeiro Seminário para Família Cristã, na cidade de São Bernardo do Campo, São Paulo. Este trabalho gerou em mim um senso de propósito e de missão de vida muito forte. Foi quando eu decidi que esse seria meu foco: Implantar a Cultura do Reino de Deus nas Famílias. Então, é o que estou fazendo há 27 anos no Brasil e em outras nações.

Qual é a crise tecnicamente inviável de superar para que um casamento seja salvo?
Nós, cristãos convictos, cremos em milagre, e milagre não se explica. Isto posto, qualquer casamento pode ser alcançado por um milagre. Se, os dois estiverem dispostos a mudar e se submeter ao tratamento de Deus. É claro que existem casos que o bom senso nos diz que é melhor que haja uma separação. Toda vez que um dos cônjuges está correndo “risco de morte” em uma relação doentia, a orientação mais sensata é que os dois se separem antes que aconteça uma tragédia maior. O que não podemos é banalizar o casamento, validando separações por motivos que não se justificam à luz da Palavra e do bom senso.

Que tipos de problemas o senhor mais teve dificuldade de superar em seu próprio casamento?
O casamento tem suas fases e o meu não foi diferente. Ninguém casa sabendo, na prática, como ser marido ou esposa. No processo de aprendizagem e ajustamento, há momentos de tensão e conflitos. Isto porque cada um de nós veio de uma cultura familiar diferente, temos temperamentos diferentes, percebemos a mesma coisa de forma diferente… Ajustar tudo isso requer tempo e humildade a fim de aprender a arte da convivência. Um ponto de tensão que eu e minha esposa tivemos que resolver foi que, sem perceber, estávamos discutindo coisas do nosso relacionamento na casa dos nossos pais. Quando percebemos isso, conversamos de forma madura e decidimos que isso não deveria acontecer mais. Infelizmente, vejo muitos casais praticando esse mesmo erro sem correção.

O que mais chama sua atenção com relação aos casais nos dias atuais?
A falta de preparo dos casais para lidar com os problemas do dia a dia no casamento é gritante. Infelizmente, a maioria se casa como “analfabeto conjugal”, e isso compromete toda a construção do projeto de vida conjugal.

E por falar em dias de hoje, o que considera como maior diferencial entre os casais atuais e os de 40 anos atrás?
Há 40 anos, os casais não desistiam com a facilidade com que os casais de hoje desistem do casamento. Havia maior comprometimento com o casamento e a família. Com o avanço tecnológico, o crescimento da mulher no mercado de trabalho, o acesso fácil às informações e a influência negativa da mídia, o casamento, para muitos, tem se tornado um relacionamento descartável. A Igreja deveria ser o “sal da terra” nesse sentido, porém, infelizmente, em alguns lugares acontece mais divórcio na Igreja do que fora dela.

Como equilibrar as orientações de cunho espiritual e de cunho psicológico?
O casal que está em crise, não pode “psicologizar” tudo e nem “espiritualizar” tudo. Homem e mulher precisam ter discernimento. Há problemas que se resolvem com a “psicologia”, porém, quando é de ordem “espiritual”, não adianta ir ao psicólogo ou psiquiatra. Ter sensibilidade para perceber isso ajuda, e muito, na solução do problema.

O senhor já produziu considerável material para fortalecimento de famílias, o que ainda pretende abordar?
Um dos temas que pretendo escrever com mais abrangência é sobre “inteligência emocional no casamento”. Tenho ministrado sobre esse assunto, mas ainda vou lançar um livro abordando o assunto de forma mais profunda e sistemática.

Quais são hoje os maiores desafios de seu ministério?
Concluir a nossa Clínica de Recuperação de Casamentos e treinar o maior número de pessoas para o ministério de casais e famílias.

O programa de TV, os livros, os congressos, conseguem solucionar os problemas de tantas famílias em crise?
Nesses 27 anos de ministério focado nos casais e famílias, posso dizer que milhares de pessoas experimentaram o milagre de transformação no lar. Todos os dias eu encontro pessoas no aeroporto, nos hotéis, nas igrejas, no shopping center, que me param para contar o que Deus fez na família deles por meio do programa de TV, do rádio, dos livros, dos DVDs, de mensagens no Youtube, dos encontros etc.

Como líder na área de família, compartilhe sobre como consegue administrar a saúde emocional e espiritual em seu lar com sua esposa?
Eu sempre digo nas minhas palestras para os casais que a saúde está no equilíbrio. Não haverá saúde integral, se não houver um alinhamento entre espírito, alma e corpo. É impossível alguém estar bem espiritualmente, se a alma e o corpo estiverem doentes. Sempre procuro cuidar da minha espiritualidade tão bem quanto cuido da minha alma e do meu corpo. E isso é refletido no bem-estar do casamento e da família.

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