Greve na CPTM: o que dizem o sindicato dos trabalhadores e a empresa

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Paralisação nesta terça (24) afetou funcionamento das linhas 11 – Coral, 12 – Safira e 13 – Jade, que atendem a 560 mil passageiros por dia útil. Categoria pleiteia reajustes salariais referentes aos dois últimos anos. Companhia propôs pagamento em dez parcelas, o que não foi aceito pelos trabalhadores.

Por G1 SP — São Paulo

24/08/2021 12h46  Atualizado há 4 horas

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Representantes da CPTM e dos trabalhadores ferroviários falam sobre impasse em negociação

Parte dos ferroviários de São Paulo entraram em greve na manhã desta terça-feira (24) por reajuste salarial, afetando a operação nas linhas 11, 12 e 13 desde a madrugada.

Os funcionários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) estão divididos em três sindicatos. A paralisação foi decretada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil (Sindcentral) que representa as linhas 11- Coral, 12 – Safira e 13 – Jade. Juntas, as linhas atendem a 560 mil passageiros por dia útil.

Os trabalhadores pedem reposição da inflação e retroativo pago em agosto e setembro. Em audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) nesta segunda (23), a CPTM ofereceu reajuste de 4% em agosto de 2021 e 6% em janeiro de 2022, com parcelamento do retroativo a partir de fevereiro de 2022.

Veja abaixo o dizem os ferroviários e a CPTM:

Greve de metroviários em SP — Foto: Reprodução/TV Globo

O que diz o sindicato

Segundo Alexandre Múcio, diretor-geral do Sindcentral, os trabalhadores pedem os reajustes salariais referentes aos dois últimos anos, de 2019 para 2020 e de 2020 para 2021.

Ainda de acordo com Múcio, os funcionários não tiveram reposição desde o início da pandemia de Cøvid.

“Se o governo não tomar uma postura de responsabilidade, de entendimento de todo o trabalho que nós fizemos durante a pandemia, perdemos mais de 80 trabalhadores, isso não é uma informação oficial porque a empresa também não nos fornece essa informação, mas no somatório perdemos muitos companheiros e companheiras. Então, se o governo não vier com uma negociação séria, a greve é por tempo indeterminado”.

A categoria afirma que a paralisação foi aprovada após inúmeras tentativas de acordo com a empresa e o governo paulista.

“O sindicato há dois anos tá tentando negociar com a empresa e não consegue, pela intransigência, pelo autoritarismo e por uma série de inverdades que estão sendo colocadas. Quando a empresa diz que está disposta a negociar, há 15 dias nós fomos convidados pelo secretário de estado de transportes, sr. Alexandre Baldy e pelo sr. Pedro Moro, para uma reunião no Palácio dos Bandeirantes e comparecemos lá. Ficamos esperando por volta de 2 horas e não fomos informados que a reunião teria sido cancelada. Simplesmente não fomos atendidos depois de 2 horas de espera. Isso é um desrespeito absurdo, não só com o sindicato, mas com a categoria”, disse ele em entrevista ao Bom Dia SP.

Na avaliação do sindicato, o governo de SP e a CPTM tentam mudar a narrativa do pleito para colocar a população contra os grevistas. Ele também afirma que a empresa tem abismos salarias entre os funcionários.

“65 a 70% ganham em torno de 3 mil a 3,5 mil. Nós estamos falando mais ou menos de mil cargos que recebem acima de 30 mil, é disso que nós estamos falando. Inclusive o salário do presidente, dos diretores, dos assessores, dos agregados, dos indicados, é disso que nós estamos falando.”

Ele também alega que a Companhia não informa oficialmente o número de trabalhadores que teriam morrido em decorrência da Cøvid. O sindicato estima que 80 trabalhadores mortos.

Plataformas ficam lotadas por conta de paralisação em linhas da CPTM — Foto: Reprodução/TV Globo

O que diz a CPTM

A CPTM oferece reajuste de 4% em agosto de 2021 e 6% em janeiro de 2022, com parcelamento do retroativo a partir de fevereiro de 2022.

“O que está sendo discutido é o índice de reajuste e nós estamos dando o índice que é usualmente utilizado, um pouquinho acima ainda, que é o do IPC Fipe”, afirma o presidente da empresa, Pedro Moro.

Em nota, a companhia lamentou a decisão sobre a greve e alega que mantém salários e benefícios rigorosamente em dia, mesmo tendo sido duramente afetada pela queda na demanda de passageiros durante 2020 e todo o ano de 2021 e com salário médio de R$ 6.500,00.

A empresa diz ainda que, em relação ao dissídio coletivo de 2020, foi proposto reajuste de 4% a partir de agosto de 2021, retroativo a março de 2020. Além do pagamento do PPR em duas parcelas (a primeira já paga em 10/08 e a outra metade no dia 10 de janeiro de 2022).

Greve da CPTM complica deslocamento na cidade de SP nesta terça — Foto: Reprodução/TV Globo

Liminar

Em decisão liminar feita a pedido da CPTM, o desembargador Rafael E. Pugliese Ribeiro determinou que os grevistas mantenham pelo menos 70% dos trens funcionando e dos funcionários trabalhando nos horários de pico.

A exigência vale para os períodos das 5h às 9h e das 17h às 20h. No restante do dia, os grevistas devem manter em funcionamento, pelo menos, 50% dos trens.

A Companhia afirma que no período da manhã, a determinação não foi cumprida. As linhas paralisadas estavam sem nenhum maquinista, e foram operadas por supervisores.

“Os maquinistas dessas 3 linhas, são 120 maquinistas, que deveriam entrar no período da manhã, nenhum entrou pra trabalhar, nós estamos operando com supervisores dos maquinistas nessa linha 11-coral. A primeira coisa é que deve ser cumprida essa liminar da justiça obrigando os 70%, o sindicato tem que cumprir pra não prejudicar a população. E nós continuamos abertos a negociação, nossa proposta continua válida e é extremamente vantajosa. É uma categoria que tem salário médio acima da média nacional, com benefícios acima da média nacional também”, defendeu o presidente da Companhia, Pedro Moro.

A última greve de funcionários da CPTM aconteceu em 15 de julho e afetou quatro linhas: 7-Rubi, 8-Diamante, 9-Esmeralda e 10-Turquesa.

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