Grêmio se mostra melhor nas finanças comparado a Flamengo e Palmeiras, entenda como

Publicado nesta semana, o balanço do Grêmio de 2020 revelou um superávit de R$ 37,5 milhões e uma receita de quase R$ 500 milhões, bem próxima à do ano anterior. Esse número foi produzido em meio à pandemia do novo coronavírus, em que basicamente todos os clubes sofreram nas finanças. Para se ter ideia, as agremiações mais ricas do país, Flamengo e Palmeiras, fecharam o ano com prejuízo em suas contas.

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Por isso, destoando, o Grêmio aparece forte no mercado de transferências — o clube fechou ontem (27), mesmo, a contratação do lateral direito Rafinha. Lateral que tanto queira fechar com o Flamengo e acabou não chegando a um acordo em relação ao salário.

Então entendamos: por que as finanças dos clubes foram tão afetadas? Mesmo as dos campeões do Brasileiro e da Libertadores:

1) Não tinham renda de “Match Day”, com bilheteria zero e sócios-torcedores em queda.

2) Uma parte das rendas de TV foi transferida para 2021 porque a temporada foi estendida.

3) Houve queda de patrocínios e no volume de vendas de jogadores.

Mesmo neste cenário, o Grêmio obteve receita de R$ 489 milhões, o que representa praticamente uma estabilidade em relação ao ano de 2019. Se fossem consideradas as receitas de TV transferidas para 2021, o clube teria aumentado sua arrecadação em um ano de pandemia, como explicita seu balanço.

Desde o início da pandemia, a diretoria gremista fez um plano de contingência de crise que transferiu determinadas contas para 2021. Isso foi associado a uma grande transferência de Everton Cebolinha para o Benfica, além de outras vendas como Diego Rosa e Tonny Anderson. No total, conseguiu R$ 119 milhões com as negociações, pouco acima de 2019.

Outro fator foi conseguir manter a maior parte dos sócios-torcedores com outras vantagens além da venda de ingressos. Então, a receita de sócios do Grêmio caiu de R$ 82,7 milhões para R$ 70,6 milhões. Ou seja, houve uma queda de pouco mais de 10% na arrecadação. Por fim, o clube já não tem renda de bilheteria, que fica com o administrador da arena —isto é, não teve perda neste item.

Em comparação, o Flamengo viu seu sócio-torcedor cair para menos da metade de 2019 e perdeu quase toda a bilheteria do ano. No total, deixou de ganhar R$ 200 milhões nesses itens. O Palmeiras também tinha receita de bilheteria em torno de R$ 100 milhões por ano, e os ingressos alavancavam o Avanti.

O Flamengo ainda sofreu com eliminações precoces na Copa do Brasil e Libertadores. Ou seja, a agremiação rubro-negra fechou com prejuízo de R$ 100 milhões no ano passado. Já o Palmeiras compensou parte das perdas com os dois títulos que dão os maiores prêmios na temporada —Copa do Brasil e Libertadores— em uma soma que ultrapassa R$ 200 milhões. Mas a maior parte do dinheiro só entrou em 2021. Assim, o Palmeiras teve déficit de R$ 151 milhões.

Outro fator a favor do Grêmio é que suas despesas com futebol se mantêm estáveis e bem abaixo dos dois rivais. O clube teve um total de gasto de R$ 310 milhões com a atividade esportiva, isto é, o custo do futebol em geral. É um número praticamente igual ao de 2019. Com a soma de todos esses fatores, o clube conseguiu o superávit de R$ 37 milhões mesmo durante a pandemia, valor superior aos R$ 22 milhões do ano anterior.

Houve, sim, um aumento do passivo de R$ 70 milhões, mas explicado por fatores contábeis ou por despesas transferidas para 2021 (R$ 30 milhões em direitos de imagem). Serão pagas com o dinheiro que sobra da televisão em 2021.

Iniciado o ano, o Grêmio fechou outra venda grande venda com Pepê para o Porto por 15 milhões de euros (mais de R$ 100 milhões em um câmbio desvalorizado).

Desta forma, explica-se por que o Grêmio fez uma proposta alta para o atacante colombiano Borré com um salário maior do que o oferecido pelo Palmeiras e US$ 4 milhões de luvas. Houve ainda ofertas pelo volante Rafael Carioca, do Tigres, e tentativas por Douglas Costa e Éverton. Não tiveram sucesso. O presidente gremista, Romildo Bolzan, promete reforços de nível internacional.

Em meio a um mar de contas no vermelho em 2020, o superávit do Grêmio pode lhe dar uma turbinada competitiva na próxima temporada.

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