Governo pode desistir de auxílio para caminhoneiros, diz Tarcísio

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O ministro da Infraestrutura disse que a proposta pode sair do radar em meio à insatisfação da categoria

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, afirmou, nesta quarta-feira (27), que o governo pode desistir do auxílio-diesel de R$ 400 para caminhoneiros diante da insatisfação da categoria com a proposta. Para evitar uma paralisação nacional, o governo federal sugeriu o benefício. As lideranças do movimento indicaram, no entanto, que o valor não seria suficiente para desmobilizar uma possível greve.

Para Tarcísio, a avaliação da quantia é uma questão de perspectiva. O ministro considerou que o montante é pouco quando se leva em conta que seria suficiente para um caminhão rodar menos de 200 quilômetros, mas representa “uma ajuda importante” para uma pessoa cuja renda mensal é, em média, de R$ 3 mil.

Seria um sacrifício do governo, seria um esforço fiscal para tentar dar a mão para uma categoria que é importante, que movimenta o Brasil e que está passando uma situação difícil. Agora entendo que, se a reação também é muito negativa, talvez não valha a pena insistir nisso. 

TARCÍSIO DE FREITAS, MINISTRO DA INFRAESTRUTURA

Fretes mais caros

O ministro também afirmou que a categoria precisa se articular e cobrar fretes mais altos, repassando os aumentos de combustíveis ao contratante do transporte. “O que eu sempre digo [aos caminhoneiros] é o seguinte: ‘Vocês têm que aprender a repassar os custos de produção para o seu preço'”, disse o ministro a jornalistas, após almoço com a Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo.

Ele argumentou que, “às vezes, quem destrói o frete é o próprio caminhoneiro”. E justificou: “Sempre tem aquele que oferece um frete muito mais baixo, inexequível, que acaba pegando o transporte e passando por dificuldade”.

“É isso que eu procuro explicar o tempo todo: para eles não ficarem presos. ‘Ah, eu preciso desse instrumento, eu preciso dessa tutela do Estado, eu preciso do frete mínimo’. Não, ele não precisa de nada disso. Ele precisa saber sentar e calcular qual é o valor dele, negociar isso, repassar isso para o preço dele e se organizar para ter poder de barganha e cobrar daquele que o contrata”, disse o ministro. 

Tarcísio também criticou as ameaças de greve e disse que não acredita no poder de uma paralisação geral. “Tem muito trabalho, o mercado está superaquecido, a construção civil bombando, o agronegócio bombando, nós estamos na época agora de transporte de sementes, preparo para plantio de safra. Então, tem muita demanda; por isso que boa parte dos caminhoneiros também não quer saber de parar. É hora de botar renda para dentro de casa.”

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As manifestações do ministro têm gerado insatisfação na categoria, que pressiona ainda mais por uma paralisação diante do novo aumento do diesel, que subiu 9% nesta semana. Em 2021, o combustível já acumula alta de 65%.

Os caminhoneiros cobram do governo a concessão de uma linha de crédito de R$ 100 mil para a manutenção dos veículos. Reivindicam, ainda, o fim da política de paridade de preço com o mercado internacional, sistemática adotada pela Petrobras que repassa ao consumidor os aumentos no preço do barril de petróleo e a alta cambial. 

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