Galvão relata conversas imaginárias com Ayrton Senna e diz que segue na TV por 'adrenalina'

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REDAÇÃO GQ
30 DEZ 2021 – 09H46 ATUALIZADO EM 30 DEZ 2021 – 10H20

Em 2022, o Brasil completará 28 anos da perda de um dos grandes ídolos nacionais do esporte, Ayrton Senna da Silva. Narrador das maiores vitórias de Senna e amigo do piloto, Galvão Bueno confessou à GQ Brasil ainda ter “conversas imaginárias” com ele.

Já tendo alcançado tudo que poderia como narrador, Galvão afirma que Senna inspira ele a continuar na TV. “Eu, como ele, sou viciado em adrenalina”, conta. A entrevista é parte do prêmio de Ícone do Ano que Galvão Bueno recebeu na edição de 2021 do Men of The Year, premiação anual promovida pelas mais de 20 edições da GQ ao redor do mundo.

“Teve uma vez em que eu percebi que o Ayrton Senna estava meio estranho…”, diz o locutor, encostando a lombar em uma mesa do restaurante do 20º andar do Grand Hyatt, hotel que é seu endereço quando está em São Paulo.

Ele retoma a história baixando o tom da voz, e imediatamente todos se inclinam em sua direção para ouvi-lo melhor. O ano era 1988. “O Senna participaria do especial de fim de ano do Roberto Carlos, e, no dia seguinte, iria ao programa da Xuxa, em uma época em que os dois estavam se conhecendo melhor”, continua.

Ao volante de um carro que tinha Galvão no banco do carona, o piloto repetia, meio aflito: “É o Roberto Carlos, meu Deus!”. Ao passar por uma pista deserta, em um descampado, Senna pegou o amigo de surpresa com um ato súbito.

Aproveitou uma reta, reduziu a marcha e afundou o pé no acelerador. Galvão se segurou, sem entender nada, e sentiu o coração disparar, até que Senna orquestrou freio de mão e volante para dar um cavalo de pau perfeito, e parar firme na direção certa. Respirou fundo, fitou os olhos de um Galvão que se recuperava do susto e disse: “Pronto, agora estou tranquilo”.

Assim como o herói nacional, que teve frio na barriga ao se encontrar com um rei, o mais importante locutor esportivo da TV brasileira jamais se mostra indiferente a pessoas e eventos grandiosos. No dia 11 de novembro, ao se reunir com a equipe da GQ Brasil, contou que havia dormido mal.

É assim quando tem um jogo do Brasil para narrar — e teria logo mais, à noite, a partida contra a Colômbia, que carimbou o passaporte da seleção à Copa do Mundo do Catar. “Como vou ter uma noite tranquila? Não dá. Hoje só vou conseguir dormir às 3 da manhã.”

Ele mostra no WhatsApp um arquivo extenso (cerca de metade deste texto, em quantidade de caracteres) com números, fatos, incertezas sobre cada um dos jogadores, sobre a partida, sobre a Copa. Muitas dessas informações vão parar em bilhetes manuscritos que Galvão deixa para si mesmo na cabine de transmissão.

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