Família alega descaso em caso de suicídio em Itajaí

O site Mídia Ninja publicou essa semana a denúncia dos familiares do indígena André Vaicuclõ Ndili, 21 anos, da etnia Laklaño Xokleng, que se suicidou se jogando da ponte dos Arcos, sobre o rio Itajaí-Açu, em Blumenau. Os familiares acusam o corpo de bombeiros militar de Santa Catarina de um suposto descaso no socorro ao rapaz e também nas buscas ao corpo. O caso aconteceu na última terça-feira. Pra família, os bombeiros não ajudaram nas buscas, o que é desmentido pela corporação.

Ao site Mídia Ninja, Nandja Rocha, irmã da vítima, contou que os bombeiros foram chamados logo que André ameaçou se jogar da ponte. Os socorristas chegaram ao local quando o rapaz ameaçava se jogar. A família acha que os bombeiros deveriam ter mergulhado no rio para tentar resgatá-lo no momento do incidente.

Pra família, pode ter havido preconceito de raça e homofobia no tratamento dos socorristas. André era homossexual. Os parentes ainda alegam que os bombeiros não fizeram buscas ao corpo e que os familiares tiveram que arranjar uma embarcação para procurar o corpo de André.

Na manhã de quarta-feira, o corpo foi encontrado e levado para o IML de Blumenau. O sepultamento aconteceu na aldeia indígena em José Boiteux. A família também tentou registrar um boletim de ocorrência sobre o suposto descaso dos bombeiros, mas discordou da narrativa do documento, elaborada por policiais civis de Blumenau. Os familiares pretendem denunciar o caso ao ministério Público e à Funai.

O tenente Fillipi Pamplona, chefe da Comunicação Social do 3º Batalhão de Bombeiros Militar de Blumenau, afirma que não houve omissão de socorro ou descaso. “Nós entendemos a dor da família, até porque lidar com a dor alheia é a nossa rotina, mas trabalhamos sempre de forma técnica e gerenciando os riscos. Nosso trabalho não pode gerar novas vítimas”, justificou o tenente.

Os bombeiros contaram que foram acionados por volta das 7h45 da manhã de terça-feira pra tentar impedir o suicídio. “As guarnições dividiram-se em três grupos: uma equipe de abordagem ao tentante de suicídio; equipe de socorro à vítima e equipe de resgate aquático com embarcação”, informou o militar.

Assim que a equipe se aproximou de André, o rapaz se jogou no rio de costas. O tenente diz que, no momento em que o jovem caiu na água, dois bombeiros militares da equipe de socorro, que estavam na margem direita, entraram o rio Itajaí-açu a nado, com nadadeira e flutuador, pra tentar fazer o resgate.

“O corpo submergiu logo após a queda e eles não conseguiram recuperá-lo. A equipe de resgate com embarcação estava preparando uma moto aquática para apoio no porto mais próximo da ocorrência, a cerca de 800 metros. Menos de cinco minutos após a queda, as buscas com a embarcação se iniciaram”, afirmou Fillipi.

O tenente informou que os bombeiros que estavam na ponte não se jogaram no rio para resgatar o jovem porque a ação não seria segura. “Em razão dos riscos envolvendo a altura da queda, do volume d’água acima da média e da forte correnteza na canaleta principal do curso fluvial”, continuou.

Os bombeiros afirmam que fizeram buscas com bote e moto aquática durante a terça e quarta-feira. As ações de buscas avançaram cerca de 10 km por ambas as margens.

“No final da tarde de quarta-feira, o corpo foi encontrado pela ação de busca de populares, que, segundo eles mesmos afirmaram, utilizaram uma espécie de anzol para varrer o fundo do rio e ‘pescar’ o corpo. Esta não é uma técnica prevista nos manuais de busca, resgate e salvamento do corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina”, concluiu o militar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.