F1: "Williams chorava ao falar de Senna", diz Pastor Maldonado

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F1: “Vi Frank Williams chorar várias vezes ao falar de Senna, era uma ferida aberta”, diz Pastor Maldonado

Por: Roberto Chinchero
30 de nov. de 2021 10:40
motorsport.uol.com.br

Piloto venezuelano falou sobre a grande amizade que tinha com o fundador da Williams e relembrou a vitória no GP da Espanha de 2012

Pastor Maldonado terá para sempre um lugar especial na história da Williams. Em 13 de maio de 2012, no Circuito da Catalunha, ele obteve a vitória no GP da Espanha de Fórmula 1, triunfo que segue até hoje como o último dos 114 conquistados pela equipe de Frank Williams.

Esse será também um dia inesquecível para Maldonado, que passou três temporadas na equipe inglesa, passando de um estreante em 2011 a um vencedor de GP. Em conversa com o venezuelano após a morte de Sir Frank, fica clara a importância que aquela experiência teve, não apenas em sua carreira esportiva, mas em sua vida.

“Sempre fui um grande torcedor da Williams”, diz. “A equipe teve vários pilotos latino-americanos em suas fileiras, como [Nelson] Piquet e [Ayrton] Senna e, obviamente, quando eu era criança, também era a equipe que estava vencendo”.

“Quando comecei a correr de fórmula, [Juan Pablo] Montoya chegou à Williams, e ele, para nós latinos, era um ídolo absoluto, então sempre acompanhei de perto a equipe. Vocês podem imaginar o que significou para mim, recém-campeão da GP2, conhecer Frank Williams e ter a chance de competir em sua equipe”.

“No primeiro dia em que entrei na sede da Williams, Frank veio me receber e imediatamente me fez sentir à vontade, explicando que sempre teve uma aproximação com os pilotos latinos”.

“A reunião em seu escritório se tornou meio que algo fixo quando visitava a sede e, na maioria das vezes, ele falou comigo sobre Ayrton. Vi ele chorar várias vezes quando se lembrava, parecia como uma ferida aberta. Talvez ele tenha visto em mim uma pessoa com quem poderia falar sobre algo que o atormentava”.

Maldonado tinha um vínculo com Frank que ele mesmo define como “muito forte” e que sempre o viu um pouco maravilhado, uma figura que havia conseguido títulos absolutos no passado.

“Nasceu uma amizade que cresceu e se tornou muito intensa, mas me lembro bem que, do meu ponto de vista, conversar com Frank era uma espécie de lição, de motivação, ver uma pessoa com seus limites mantendo a determinação e uma energia incrível. Era uma mensagem que carregava comigo”.

“E não acho que fui o único: toda a equipe sentia isso de Frank. Haviam pessoas que estavam na equipe há 30 anos ou mais, e não acho que era apenas uma questão financeira. Minha presença coincidiu com momentos que não foram fáceis para a equipe, mas sempre existiu um ambiente especial, um grande espírito de união”.

O auge de sua passagem pela Williams é, sem dúvidas, o GP da Espanha de 2012, um dia em que marcou por várias histórias.

“Naquele fim de semana celebramos seu 70º aniversário, foi algo incrível. Na ocasião, sua esposa também estava presente. Ela já estava lutando contra o câncer, mas poucos sabiam disso e, mesmo assim, ela não queria perder”.

“O clima era especial. Patrick Head também estava presente e queríamos tornar aquele fim de semana em algo único. Lembro que tivemos algumas reuniões técnicas que normalmente não aconteciam e Frank nos encorajava em diversos momentos do fim de semana”.

Ele fez a pole position, um feito que já era histórico, mas ninguém realmente acreditava na possibilidade de Maldonado confirmar a conquista no dia seguinte.

Em vez disso, volta após volta, Maldonado conseguiu o feito, possivelmente a vitória inesperada até mesmo para o próprio Frank Williams.

“Quando voltei aos boxes, após o pódio e a coletiva, ele reuniu um pequeno grupo de pessoas e me lembro bem do que ele disse: ‘Ganhei muito e com vários pilotos, mas essa vitória, pela hora que chegou, é a mais importante da minha vida. Muito obrigado Pastor'”.

“Foi um momento incrível. Tentei segurar as lágrimas, mas percebi que vários estavam na mesma situação. Acho que muitas coisas aconteceram naquele dia, o 70º aniversário de Frank, mas haviam também problemas familiares importantes e a equipe não vinha bem há algum tempo. Todos nós nos encontramos respirando um ar mais fresco naquele dia”.

“Foi um domingo incrível, com momentos de tensão, devido a um incêndio que se alastrou pela garagem após a corrida. Lembro que Frank ficava perguntando se todos estavam bem, com a preocupação com as pessoas sendo a sua prioridade. Naquele dia em Barcelona, Patrick Head estava lá, uma pessoa sempre presente nos pensamentos de Frank, que nunca deixou de considerá-lo seu braço direito”.

“Quando por acaso eu conversava com ele sobre problemas com o carro, ele acabava ligando para Head e me passando o telefone para conversar com ele. Graças ao talento, perseverança e um pouco de loucura eles realmente realizaram seus sonhos”.

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