Como cultivar plantas frutíferas em vasos dentro de casa ou até mesmo no apartamento

kriemer

Cultivar plantas dentro do espaço doméstico tem sido uma atividade crescente e benéfica em tempos de isolamento social. Mas, para além das suculentas e flores que decoram e melhoram o astral da casa, plantas frutíferas ganham destaque pela produção de alimentos e boa adaptação também em espaços reduzidos.

Tendo em vista grandes centros urbanos, como São Paulo e Rio de Janeiro, que possuem uma elevada concentração de edifícios residenciais, as árvores frutíferas podem ser uma boa pedida tanto na decoração do ambiente quanto no consumo de frutos direto do pé.

Certas espécies podem ser facilmente plantadas em vasos, o que possibilita o seu cultivo em apartamentos. É o caso das mangueiras e da jabuticabeira, que são plantas de copas frondosas. Espécies de porte mediano, como variedades cítricas, goiabeiras, pitangueiras, romãzeiras, até exemplos de porte pequeno, como o morangueiro, são igualmente propícias.

De acordo com José Emílio Bettiol Neto, pesquisador do Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o clima, a luminosidade e a insolação são fatores fundamentais na adaptação das espécies. A recomendação é que o ambiente onde se pretende cultivá-las receba radiação solar direta de quatro a seis horas diárias.

“A região também é fator a ser considerado, pois existem plantas mais adaptadas a regiões frias que teriam problemas em produzir em regiões mais quentes e vice-versa”, diz o pesquisador. Ele ressalta, ainda, que a limitação de espaço para exploração das raízes é fator que restringe a produção de frutas pela planta.

Cuidados gerais

A jabuticabeira, de copa mais frondosa, também é boa opção para cultivo em apartamentos (Foto: Reprodução/GKDantas/Pixabay)

Para melhor desenvolvimento da planta, a rega deve ser equilibrada, evitando-se o excesso de água, assim como sua carência por longos períodos, explica o pesquisador José Emílio Bettiol Neto.

Produtos menos agressivos, sempre prescritos e sob orientação técnica, também devem ser utilizados nas plantas em locais de permanência e circulação de pessoas e pets. Assim como com outros vasos e espécies de plantas, os cuidados com animais de estimação devem ser os mesmos.

A reposição de nutrientes se faz necessária à medida que a planta cresce e seus frutos são colhidos, lembra José Emílio. Ela pode ser feita de forma orgânica ou utilizando pequenas porções de adubos químicos. “Acompanhar tanto o desenvolvimento vegetativo quanto o produtivo da espécie cultivada é muito importante para orientar as adubações”, aponta.

As podas também são essenciais. “Quando a frutífera for transplantada para vasos maiores, é interessante retirar o excesso de raízes e observar atentamente seu aspecto, visando identificar algum problema”, diz o pesquisador. A poda de limpeza tem papel benéfico à manutenção da sanidade da planta, assim como equilibra e adequa o volume da copa ao espaço disponível.

O pesquisador ressalta que o acesso constante à planta facilita a observação de mudanças em seu aspecto, favorecendo a identificação de algum problema em sua sanidade. “Constatada alguma alteração, é possível identificar a causa logo no início e, com a orientação de um técnico da área agrícola, corrigir, quando possível, o problema”, alerta.

Cultivo em vasos

Vasos de cerâmica são possuem certa porosidade, o que aumenta a frequência das regas das plantas (Foto: Reprodução/johannatherealtor/Pixabay)

Além do clima da região, da luminosidade e da insolação, os vasos também devem ter certas particularidades para que haja um melhor desenvolvimento da planta.

O material em que são feitos deve ser levado em consideração: objetos de plástico tendem a manter a umidade por mais tempo em seu interior. Vasos de cimento ou cerâmica, por sua vez, são mais porosos e necessitam de regas mais frequentes.

O pesquisador José Emílio pontua que plantas maiores, que possuem sistemas radiculares mais robustos, necessitam de um volume maior de solo, como as jabuticabeiras. Por outro lado, plantas de menor porte podem ser cultivadas em vasos menores, como os morangos.

“É possível utilizar vasos menores no início para plantas mais vigorosas e, paulatinamente, transplantar para recipientes maiores, adequando o tamanho do vaso ao espaço disponível”, pondera.

Ao se montar o vaso, em geral, a adição de compostos orgânicos fornece à planta praticamente todos os elementos necessários para um bom desenvolvimento.

Passo a passo

A seguir, confira um passo a passo do pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas para o cultivo de plantas frutíferas em casa.

PASSO 1
Fique atento à qualidade da planta. Mudas bem formadas, saudáveis, isentas de pragas e doenças são primordiais.

PASSO 2
No plantio, coloque no fundo do vaso uma camada de material mais grosseiro, como brita, seixos ou argila expandida, para permitir a drenagem do excesso de água do vaso, dificultando seu encharcamento. É recomendável ainda colocar sobre esse material a manta de drenagem, conhecida como bidim. Ela impede que o substrato preencha os espaços entre as britas ou as argilas expandidas, reduzindo a drenagem do excesso de água. 

PASSO 3
Após colocar o material drenante e, sempre que possível, o bidim, coloque uma porção do substrato sobre esse material. Geralmente, mudas de frutíferas são comercializadas em sacolas plásticas, e, assim, retire cuidadosamente a muda da sacola. Se houver necessidade, elimine o excesso de raízes das mudas.

PASSO 4
Deposite a muda no vaso e preencha com o substrato até alcançar o colo da planta, pressionando suavemente. Forneça água suficiente para a muda e, caso haja necessidade, coloque mais um pouco de substrato a fim de cobrir o espaço até atingir o nível do substrato original. É importante sempre deixar um espaço entre o nível do substrato e a borda do vaso para futuros manejos e impedir o transbordo de água e outros materiais.

PASSO 5
Nesse espaço, também pode ser colocado um material orgânico mais grosseiro, como casca de pinus, por exemplo, para manter a umidade por mais tempo e dificultar a germinação de sementes que, por ventura, possam existir.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.