Caso boate Kiss: após oito anos, julgamento terá início nesta quarta (01)

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O julgamento de quatro réus pela morte de 242 pessoas na  Boate Kiss, em janeiro de 2013, começa nesta quarta-feira (01) na 1ª Vara do Júri de Porto Alegre e a previsão é que dure cerca de 15 dias. Elissandro Callegaro Spohr, 38 anos, e Mauro Lodeiro Hoffmann, 56 anos, eram sócios do estabelecimento.

Outros dois réus são o músico Marcelo de Jesus dos Santos, 41 anos, da banda Gurizada Fandangueira, e Luciano Augusto Bonilha Leão, 44 anos, produtor musical e auxiliar de palco da banda, que se apresentava no dia do incêndio. Todos responderão por 242 homicídios simples, além de 636 tentativas de homicídio.

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Pela manhã serão sorteados os jurados e os depoimentos das vítimas começam à tarde. Serão ouvidos cinco sobreviventes arrolados pelo Ministério Público e cinco escolhidos pela assistência de acusação, que é patrocinada pela Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria.

Segundo o rito processual, na sequência serão ouvidas 25 testemunhas de acusação e defesa. Somente ao fim será a vez dos depoimentos dos quatro réus.

“Espero que os jurados entendam a acusação e que os réus venham ser condenados para pagar o que fizeram, na forma da lei”, diz o advogado Pedro Barcellos Jr, que representa a associação.

Segundo a denúncia, a tragédia foi desencadeada porque a boate teria tido as portas trancadas, para cobrar as comandas e evitar que os jovens saíssem sem pagar. Há ainda outros problemas, como extintores que não funcionavam, sinalização precária da saída e o fato de ter apenas uma porta de saída, explica Barcellos Jr.

Os bombeiros responsáveis pela concessão de alvarás e fiscalização contra incêndio foram julgados pela Justiça Militar. O coronel reservista Moises da Silva Fuchs foi condenado a um ano e três meses.

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O capitão Alex da Rocha Camillo foi condenado a um ano. O tenente-coronel da reserva Daniel da Silva Adriano, que havia assinado o alvará de prevenção de incêndio da Kiss em 2011, foi absolvido. Todos pertenciam ao 4º Comando Regional dos Bombeiros, em Santa Maria.

O advogado afirma que o resultado do julgamento que começa nesta quarta é imprevisível. O processo já tem mais de 90 volumes, com cerca de 19 mil folhas.

“O processo é como uma roda gigante, pende para um lado, pende para outro. É imprevisível”, diz.

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O processo se estende por quase nove anos e 28 pessoas foram indiciadas na investigação. Os donos da boate afirmam que não havia superlotação e que não sabiam que a banda faria um show pirotécnico, que provocou o incêndio. O advogado do músico da banda afirma que um dos sócios tinha conhecimento que o artefato seria usado.

O julgamento vai começar às 9h e não será interrompido nos fins de semana. O júri será presidido pelo juiz Orlando Faccini Neto, titular do 2º Juizado da 1ª Vara do Júri da Comarca de Porto Alegre.

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