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Cãozinho vai ao pet shop e volta sem olho

“Está sendo um pesadelo para nós”. A advogada Idamara Fernandes tomou um verdadeiro susto ao buscar seu cachorrinho, Beethoven, no pet shop, no dia 20 de maio. De acordo com ela, o cão da raça shih tzu, chamado Beethoven, foi deixado no pet shop para banho e tosa, como de costume. De repente, ela recebeu uma ligação de uma clínica, avisando que seu cãozinho tinha perdido o olho devido a um quadro de hemorragia. O caso aconteceu em Ipatinga, situada no Vale do Aço, região Leste de Minas Gerais. 

Idamara estava viajando, Beethoven iria ficar no pet shop, que também funciona como hotelzinho, do dia 20/05 ao dia 23/05. “Deixei-o na sexta-feira, 20 de maio, no pet shop. No sábado, por volta das 11h30, eu recebi uma ligação do médico veterinário que atendeu a urgência do Beethoven, dizendo que ele chegou lá na clínica ensanguentado, com quadro de hemorragia. Foi necessário retirar todo o seu globo ocular”, explicou. 

Idamara acrescenta ainda que, em nenhum momento, foi pedida autorização a ela para sedação e cirurgia do animal. “Muito menos foi me passado o real estado do Beethoven quando chegou à clínica”, disse. 

Após buscar o animal, ela foi até o pet shop para entender o que tinha levado seu cachorrinho a ficar naquela situação. “Até então, nem tinham ligado para mim. Apenas mandaram uma mensagem de whatsapp […]. Quando eu cheguei lá para saber dela pessoalmente o que tinha acontecido, a funcionária simplesmente me disse que estava dando banho em outro cachorro, e que não viu o que aconteceu”, contou Idamara.

O estabelecimento não tem câmeras de filmagem na área dos animais, apenas na recepção. “Como assim só tem na recepção e não tem onde os cachorros ficam? Ela só me disse que ‘não tem’ e não disse mais nada. Até hoje estou sem saber o que de fato aconteceu com meu cãozinho Beethoven nesse pet shop”, esclareceu a advogada. 

Luta por fiscalização e cuidado

Para tentar mobilizar pessoas na luta pela fiscalização em pet shops, Idamara criou o Instagram “Beethoven Monocular”, onde registra relatos reais de sequelas deixadas pelo acidente e pela cirurgia.

No mesmo local, ela também documenta relatos de outros tutores de pets que sofreram agressões em pet shops por Minas Gerais. Em um dos relatos, a dona conta ter levado seu cão a um pet shop e ir buscá-lo sem vida. 

De acordo com a advogada, há projetos de lei em andamento em nível estadual e federal. Idamara Fernandes se encontrou com o deputado Osvaldo Lopes – criador do projeto de lei estadual –  na Assembleia Legislativa de Minas Gerais  (ALMG) hoje (10), denunciando este fato.

“O objetivo é que os pet shops tenham fiscalização. É importante que tenham câmeras de filmagem, para que nós, tutores, possamos supervisionar o que está sendo feito com nosso animal. Além disso, é muito importante a divulgação desses projetos de lei, porque eles ainda estão em tramitação”, explicou. 

Atualmente, para abrir um pet shop em Minas Gerais é necessário apenas a retirada de um alvará sanitário. “Não há obrigação para a presença de um médico veterinário, nem obrigação de ter pessoas qualificadas, com algum curso”, argumentou Idamara. “Muitas pessoas que trabalham em pet shops não são qualificadas, na maioria das vezes nem gostam de animais”, finalizou. 

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