CAMINHO DAS BORBOLETAS – O ASSÉDIO DOS JORNALISTAS

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“A viúva vai se dirigir à imprensa.” Entendam como  quiserem entender essa frase, com direito ao sarcasmo que  ela possa ter. Pois imprensa e sarcasmo costumam – que  me desculpem alguns jornalistas de respeito e compaixão –  andar de mãos dadas. Eu ia dar uma coletiva, na casa dos Braga, sobre aquilo em que eu me recusava a acreditar. Não tinha jeito. Era segunda-feira, eu não dormira um minuto, mas a Quinta da Penalva corria o risco de ser  invadida por um enxame de repórteres, fotógrafos e cinegrafistas de todo o mundo. No domingo, Ayrton tinha  sido a vítima. Agora, era minha vez.

Pedi a Luiza:

– Não tenho nem condições de escolher uma roupa para  vestir.

Ela foi ao armário dela e me emprestou uma. A coletiva saiu meio aos solavancos, eu ligada no automático, mas como não me lembrar da senhora que me açoitava com uma única e insistente pergunta:

   – Você tem bilhete de volta para o Brasil? Quem vai lhe pagar a passagem?

Não estava em condições de captar o sentido do dramalhão mexicano que ela queria promover, à minha custa. Na verdade, não sei de onde tirei tanta força e tanta serenidade.

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