Caminho das Borboletas – Adriane Galisteu Revê o Acidente Várias Vezes e o Assédio dos Jornalista na Casa de Braga

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A propósito de não sei o quê, qualquer bobagem. Mas o pensamento me voltou exatamente àquela hora e eu me sentia era fraca, completamente fraca. Tomei uma decisão:

– Luiza, quero assistir a tudo sobre o acidente, tudo.  – Tem certeza?

– Absoluta. Me dá o telefone da SIC, da televisão. Vou ligar e pedir para que eles me mandem os vídeos da corrida.

– Faço isso por você.

O telefone não parava, àquela hora da madrugada. Luiza ia dispensando, um por um:

– Respeitem a menina. Por favor.

A tevê repetia e repetia a carnificina que tinha sido Ímola. Vi e revi o acidente do Ayrton. Tentava compreender o incompreensível, explicar o inexplicável. Passei a noite em claro, feito assombração. A Luiza velou minha dor. Tentou me acomodar para um ligeiro descanso, umas horinhas de sono. Foi inútil. Como eu estava absolutamente fora de controle, passo a narrar o que escreveu uma gentil repórter de um jornal brasileiro, por conta própria, é claro:

– Ela (no caso, eu) vagava de camisola pela casa sombria, como um zumbi, e gritava, amparando a cabeça com as mãos: “Ayrton, Ayrton”.

Camisola? Casa sombria? Berros na madrugada? Nem forças para isso eu tinha.

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