Base do crânio explodiu, descreve legista

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FLAVIO GOMES
DO ENVIADO ESPECIAL

São Paulo, quarta-feira, 4 de maio de 1994

Folha de S. Paulo

A autópsia no corpo de Ayrton Senna começou a ser feita ontem às 10h locais (5h de Brasília) pelos legistas Michele Romanelli e Pierludovico Ricci, do Instituto Médico Legal de Bolonha. O laudo oficial tem 60 dias para ser preparado.

A Folha conversou com uma médica do IML que viu o corpo de Senna na segunda-feira de manhã e ontem –antes e depois da autópsia. Segundo sua descrição, no dia seguinte ao acidente o rosto do piloto estava desfigurado. A médica pediu para que seu nome não fosse revelado.
Muito inchada, a cabeça quase se juntava aos ombros. Os médicos concluíram, após a autópsia, que Senna teve morte instantânea na batida a 290 km/h na curva Tamburello. Teve também parada cardíaca naquele momento e circulação praticamente interrompida.

Quando os médicos o reanimaram –ativando os batimentos cardíacos e a circulação artificialmente–, o piloto já havia morrido. A atividade cerebral era inexistente. Não há possibilidade de sobrevivência nesses casos.

Segundo a médica, a parte superior do corpo de Senna “parecia uma pirâmide”. O tronco e os membros, porém, estavam intactos. “Não havia contusões. O problema foi na base do crânio, que explodiu”, relatou. Ontem a cabeça estava menos inchada. O corpo do piloto foi vestido com um terno preto, gravata cinza e camisa branca comprados anteontem em Bolonha.

Não havia manchas de sangue nas costas do corpo. De acordo com a médica do IML, essas manchas são normais nas costas de pessoas mortas à espera de autópsia pela ação da gravidade.
“Ele já não tinha mais sangue”, contou a médica. Na chegada do helicóptero ao hospital, uma enorme quantidade de sangue caiu no chão quando as portas foram abertas. Senna recebeu 4,5 litros de sangue no vôo de 12 minutos entre a pista e o hospital Maggiore, de Bolonha.
Senna foi autopsiado antes de Roland Ratzenberger, piloto austríaco da equipe Sauber, morto no sábado durante os treinos para o GP de San Marino.

Os dois corpos estavam lado a lado nas mesas do IML ontem. Ainda segundo a médica, apenas um ramalhete de flores foi deixado por torcedores ao austríaco. Senna recebeu centenas.
(FG)

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