Apatia pode ser sinal de demência anos antes de outros sintomas

Um estudo publicado nesta segunda-feira (14) no jornal da Associação de Alzheimer sugere que a apatia é um dos sintomas mais comuns em pessoas que vão desenvolver um tipo de demência no futuro.

A falta de interesse ou motivação — que pode ser até confundida com depressão em alguns casos — pode ser um preditor da demência frontotemporal, frequentemente diagnosticada entre 45 e 65 anos.

Essa doença muda o comportamento, a linguagem e a personalidade, levando à impulsividade, comportamento socialmente inadequado e comportamentos repetitivos ou compulsivos.

Segundo o artigo, assinado por cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, estudos de escaneamento do cérebro mostraram que em pessoas com demência frontotemporal ela é causada pelo encolhimento em partes especiais na parte frontal do cérebro — e quanto mais grave o encolhimento, pior a apatia.

Leia também: Com mais um remédio reprovado, tratamento da doença de Alzheimer não avança há 17 anos

No entanto, essa apatia pode começar a se manifestar décadas antes dos demais sintomas da demência frontotemporal.

“Quanto mais descobrimos sobre os primeiros efeitos da demência frontotemporal, quando as pessoas ainda se sentem bem consigo mesmas, melhor podemos tratar os sintomas e retardar ou mesmo prevenir a demência”, explica uma das autoras do estudo, Maura Malpetti, cientista cognitiva do Departamento de Neurociências Clínicas da Universidade de Cambridge.

Leia também: Saiba quais são os sinais de demência que você deve observar

Para chega à conclusão apresentada no estudo, os pesquisadores analisaram 304 pessoas saudáveis que carregam um gene defeituoso que causa demência frontotemporal, e 296 parentes delas que têm genes normais.

Todos foram acompanhados por vários anos, sem que a maioria não soubesse se era portadora de um gene defeituoso ou não.

Os pesquisadores procuraram alterações na apatia, testes de memória e varreduras de ressonância magnética do cérebro.

“Ao estudar as pessoas ao longo do tempo, em vez de apenas tirar uma foto [do momento], revelamos como até mudanças sutis na apatia previam uma mudança na cognição, mas não o contrário”, observa Maura Malpetti.

No artigo, o grupo ressalta que pessoas com a mutação genética que causa a demência frontotemporal tinham mais apatia do que outros membros de sua família, o que em dois anos aumentou muito mais do que em pessoas com genética normal.

A apatia previa declínio cognitivo, que se acelerava à medida que os pacientes se aproximavam da idade estimada de início dos sintomas.

Os resultados são fundamentais para o aprimoramento de protocolos médicos que possam ajudar a identificar o quanto antes quadros de demência.

O professor James Rowe, coautor do estudo, ressalta que essa é uma “janela de oportunidade para tentar intervir e retardar ou interromper” o progresso da doença.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.