Abel revela o Segredo de ter superado o Flamengo

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Abel Ferreira tem apenas um ano de Palmeiras, mas já se colocou entre os grandes técnicos da história do clube, em um grupo que tem nomes como Vanderlei Luxemburgo e Luiz Felipe Scolari. Ao conquistar sua segunda Copa Libertadores neste sábado, em Montevidéu, o português concluiu com sucesso seu plano, que movimentou torcida e funcionários antes da decisão com o Flamengo.

Ao perder para o São Paulo com reservas no Allianz Parque, Abel gerou a ira de muitos e avisou: “Temos um plano e vamos segui-lo até o fim”. Pouco importava para ele a luta do rival contra o rebaixamento. O foco era se preparar bem para a final da Libertadores.

Por conta da sequência de jogos a cada três dias, a comissão técnica tomou a decisão de nas quatro partidas antes da decisão dividir o elenco em dois: os titulares atuariam contra Fluminense e Fortaleza, e os reservas contra São Paulo e Atlético-MG.

Os jogadores foram avisados de que a ideia era deixar todos em boas condições de jogo – apenas Felipe Melo, com dores no joelho, tinha algum problema físico. E ainda assim entrou na prorrogação da final.

A parte seguinte do plano passava pela estratégia tática para a decisão. Aquilo que para muitos era a grande dúvida da final, na cabeça do português nunca foi o problema: a lateral direita. Sem Marcos Rocha, suspenso, o técnico não titubeou ao escolher Mayke – a ponto de nem testar Gabriel Menino antes do jogo contra o Flamengo. Além de dar a assistência para o gol de Raphael Veiga, o camisa 12 teve grande atuação defensiva no Centenário.

Embora a escalação fosse teoricamente ofensiva, Gustavo Scarpa foi usado praticamente como um segundo lateral-esquerdo, fora de sua posição de origem, com uma marcação sem bola bem baixa. A ideia foi diminuir os espaços e, com menos posse de bola, aproveitar as deficiências defensivas do Flamengo, ainda que precisasse deixar jogadores fora das funções em que estão confortáveis, como foi o próprio caso de Scarpa.

– Coloquei todos numa sala e disse: “Vou fazer isto”. Que queria fazer isto, isto e isto. Mas que só o faço se todos se sentirem confortáveis. Se estiverem dispostos a cada um cumprir sua missão. Tivemos um dos capitães que só respondeu assim: “Se é para ganhar, cada um aqui vai fazer o que for preciso”. Esta é a forma que eu encontro de derrotar um rival muito qualificado – afirmou Abel.

À estratégia inicial, Abel somou a aposta certeira em Deyverson. O atacante, tão contestado, entrou no intervalo da prorrogação. Minutos depois, justificou a escolha do chefe e fez o gol do título.

Deyverson

A filosofia

Estudioso dedicado, o português sempre diz que, por não ter sua família no Brasil, vive de pensar em planos e estratégias. Foi assim que mudou o estilo no Choque-Rei da Libertadores e, repetindo a marcação individual de Hernán Crespo, tirou o São Paulo nas quartas; e assim também levou até o fim a estratégia com três zagueiros e ataque rápido para tirar o Atlético-MG no Mineirão com gol de Dudu.

Conhecido pelo estilo pilhado, Abel estava diferente na semana da final. Mais sereno, “em paz consigo mesmo” e com sentimento de dever cumprido após conquistar seu terceiro título pelo Palmeiras, o segundo na Libertadores, ele exemplificou em suas atitudes o texto que republicou em suas redes sociais após o jogo.

O que levamos da vida afinal? Nada do que adquirimos, apenas o que vivemos. Então, suavize sua vida, deixe para lá o que não te faz feliz. A vida é tão curta, faça o bem, ame, veja a vida de forma positiva, ajude, faça o que te dá prazer, tenha sonhos, e melhor, realize-os. Pratique a gentileza, cuide de quem ama, abrace quem você quer bem, e viva cada momento em toda sua intensidade. Isso é viver, e acredite, a vida sempre retribui à altura

— Texto republicado por Abel em seu Instagram com a legenda: “Mais do que uma filosofia de jogo, uma filosofia de vida. Gratidão Eterna!”

Esta tranquilidade deixou até um clima de início de despedida após o tricampeonato da Libertadores, escancarado pelo técnico em suas entrevistas no Centenário, embora ele tenha contrato até o fim de 2022 e conte com o apoio de Leila Pereira para permanecer.

Mas foi um ano muito intenso, que o levou ao limite mental e irá virar inclusive livro, segundo o português. O clube vai trabalhar muito para que este não tenha sido o capítulo final. Mas de qualquer forma, o plano de Abel já está marcado como um dos grandes episódios da história do Palmeiras.

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