60 crianças recebem imunizantes vencidos na Paraíba

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A equipe técnica da Secretaria de Estado da Saúde (SES) comprovou erros na aplicação de vacinas de adultos em Lucena, na região metropolitana de João Pessoa. Na visita realizada ao município, nesta segunda-feira (17), foi constatado que 36 crianças receberam doses vencidas. Outras 13 crianças receberam doses que estavam dentro do prazo de validade. Ao todo, 49 crianças receberam o imunizante de forma inadequada.

A informação difere do que número de crianças que foram identificadas pelo prefeito de Lucena, Leo Bandeira (Solidariedade), nesta segunda-feira. Ele havia dito que eram 48 crianças. Já o secretário de Saúde da Paraíba mencionou, no domingo (16), um levantamento preliminar de pelo menos 60 crianças.

Conforme o relatório da SES, o levantamento das doses constatou também que cerca de 200 pessoas, entre adolescentes e adultos, receberam imunizantes fora do prazo de validade na cidade de Lucena.

O próximo passo, segundo a Secretaria de Saúde, é contabilizar as doses de vacina da Pfizer/Comirnaty enviadas ao município, para que sejam identificadas todas as pessoas que receberam doses vencidas, e fazer com que elas recebam as orientações adequadas.

O Secretário Estadual de Saúde, Geraldo Medeiros, disse que “o trabalho de campo da equipe técnica do Governo do Estado continuará durante toda a semana em Lucena e, na quinta-feira (20), será realizada uma capacitação com todas as equipes de imunização do município”.

Ainda de acordo com a SES, a vacinação contra covid-19 está suspensa no município e a SES está buscando estratégias para garantir a segurança da imunização para os residentes da localidade.

Entenda o caso

Crianças foram vacinadas contra a Cøvid-19 com doses para adultos em uma Unidade Básica de Saúde (USB) da cidade de Lucena, na Região Metropolitana de João Pessoa.

A vacinação teria acontecido desde dezembro de 2021, e o fato veio à tona no sábado (15), após denúncia apresentada ao Ministério Público Federal (MPF).

Em depoimento dado ao MPF no domingo (16), a técnica de enfermagem disse que aplicou as doses nos dias 29 de dezembro de 2021 e 7 e 11 de janeiro de 2022, ou seja, antes de iniciar o calendário de vacinação para crianças entre 5 e 11 anos, que começou no último sábado (15).

A vacina da Pfizer usada nas crianças fazia parte do lote FN3457, destinado a adolescentes e adultos.

O prefeito de Lucena disse que ainda não pode precisar o que provocou a imunização indevida das crianças. Mas, que houve falha de comunicação.

De acordo com ele, alguns profissionais de saúde do município – que trabalham nas ações de imunização – não teriam participado de treinamentos pela internet, para a aplicação das doses.

As mães de algumas crianças vacinadas em Lucena relataram à reportagem da TV Cabo Branco efeitos colaterais em seus filhos. Disseram, inlcusive, que ‘nenhum órgão de saúde acompanhou’ os filhos vacinados.

Nesta segunda-feira (17), o ministro da saúde Marcelo Queiroga visitou a cidade de Lucena. Em entrevista à TV Cabo Branco, ele disse que está fazendo um monitoramento rigoroso para verificar a ocorrência de possíveis eventos adversos.

“Essas vacinas foram aplicadas de maneira inadvertida, é o que consideramos erro vacinal. São 48 crianças e incumbe às autoridades sanitárias locais e do Estado fazer essa vigilância”, disse Queiroga.

Queiroga recomendou, ainda, que os menores de 11 anos que receberam dose de vacina contra Cøvid-19 destinada a adultos devem ser examinados para descarte de qualquer efeito colateral grave.

Em uma entrevista coletiva para a imprensa, realizada na tarde desta segunda-feira (17), o prefeito de Lucena informou que a técnica de enfermagem que aplicou as vacinas, uma enfermeira do mesmo grupo de saúde, a chefe de imunização do município e o secretário municipal de saúde foram afastados dos cargos por causa da vacinação incorreta.

A Secretaria de Estado da Saúde informou que não vai mais enviar vacinas para Lucena e vai mobilizar equipes da própria secretaria para vacinar a população da cidade.

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