Secretário de saúde do Pará assina nota do Conass contra protocolo de uso da cloroquina do Ministério da Saúde – Comunidade F7

Representante dos secretários estaduais de saúde do Brasil, o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) questionou em nota oficial o protocolo do Ministério da Saúde sobre o uso do medicamento cloroquina nos casos leves de Covid-19. A nota foi assinada pelo presidente do Conass, Alberto Beltrame, que também é secretário de saúde do Pará, e foi lançada na noite de quarta-feira, 20, após a publicação do protocolo do MS, que foi feita também na quarta-feira, pela manhã.

De acordo com a Secetaria de Estado de Saúde do Pará (Sespa), a nota foi assinada por Beltrame, que se encontra em Brasília, na condição de presidente do Conass, e portanto somente a entidade pode dar melhores esclarecimentos sobre a decisão contrária ao protocolo do governo federal.

Embora peça união de todos no combate à doença, o Conass afirma na nota que ainda não há comprovação científica da eficácia do medicamento contra a Covid-19, e reitera que a total responsabilidade da recomendação é do Ministério da Saúde, não tendo sido discutido com Estados e municípios.

“O Conass reafirma sua posição de pautar-se, sempre, pelo respeito às melhores evidências científicas. É sabido, e o mencionado documento assim expressa, que não há evidências científicas que sustentem a indicação de quaisquer medicamentos específicos para o Covid-19. Assim, repousa sobre o médico a responsabilidade da prescrição, conforme já dispôs o Conselho Federal de Medicina”, diz  o texto.

A entidade de secretários também questiona as pautas que deveriam ser levantadas no momento, em lugar de apenas definir uma prescrição de medicamentos. “Na importância de se prosseguir com a discussão junto ao gestor federal do SUS (Sistema Único de Saúde) sobre temas que se relacionam diretamente à estratégia de enfrentamento à pandemia de modo tripartite. Por que estamos debatendo a cloroquina e não a logística de distanciamento social?”, questiona a nota, sendo o isolamento social pauta divergente desde o início entre o presidente da República, Jair Bolsonaro, e os dois últimos titulares da pasta do Ministério da Saúde.