Para especialistas, protocolos sugeridos pela FPF pouco contribuem para a segurança de atletas – Comunidade F7

A possibilidade de não haver mais futebol no Brasil em 2020, sim, existe. Muito embora clubes e entidades ligadas ao esporte trabalhem no sentido de fazer a bola rolar (dentro dos protocolos de segurança, claro), há quem acredite que os jogos só serão retomados no ano que vem. Isso em função da dificuldade em se criar condições adequadas para a prática do desporto. Mesmo que, no início do mês, tenham vazado partes de um documento da Federação Paulista de Futebol que trata de possíveis medidas a serem adotadas, especialistas ouvidos pelo Yahoo Esportes não acreditam muito na eficácia dessas medidas.
Está em análise, por exemplo, a obrigatoriedade do uso de luvas e camisas de manga longa por parte dos atletas. Para Renato Kfouri, diretor médico da Provaccina Centro de Imunização, isso não garante ganhos significativos. “É preciso entender as vias de transmissão. O vírus é transmitido essencialmente de duas maneiras: por via respiratória e por superfícies. Você espirra ou tosse e contamina maçanetas, corrimãos, etc. A pessoa pode colocar a mão nessa superfície e se auto infectar ao tocar os olhos, nariz e boca. Transmissão por barba, cabelo, roupa ou pata de cachorro são absolutamente eventuais. Você pode espirrar e deixar no cabelo, na barba, no cachorro, mas não é assim que se transmite doença respiratória”, disse.
A não comemoração de gols com abraços ou a orientação de não se reclamar perto de árbitros também é uma possibilidade aventada. Só que… “Se você pretende evitar que as pessoas falem perto, acredito que o jogo nem deveria acontecer. Você fala com jogador, com todo mundo e não fala com árbitro? É esquisito, né? Ou você faz um jogo em que ninguém fala com ninguém, todo mundo mantém 1 metro de distância, ou seja, não tem jogo. Não me parece muito sensato restringir apenas uma pequena única situação do jogo”, completa Kfouri. Conforme Moisés Cohen, presidente do Comitê Médico da FPF, nada está definido. “Tudo que eu puder fazer para diminuir a transmissão do vírus é bem-vindo, desde que não atrapalhe a prática da modalidade.”
O coronavírus, sim, tem efeitos devastadores, como se vê em todo o planeta. E a vida do atleta fica severamente ameaçada. “Em torno de 7 à 10% dos pacientes com Covid-19 moderado (casos que requer internação) podem ter alterações miocárdicas. Quando você tem uma miocardite ou pericardite, tem que ficar pelo menos seis meses sem jogar para não evoluir como uma insuficiência cardíaca. Cada segmento tem que avaliar isso tudo para fazer a liberação para treino e jogo”, salientou Raquel Muarrek, infectologista do hospital Emílio Ribas. Fica, então, a pergunta: vale a pena correr riscos?