Brunoro detalha ‘projeto Maradona’ e relembra tentativa de contratar Bielsa – Comunidade F7

O ex-diretor de futebol do Palmeiras, José Carlos Brunoro, participou de uma live no canal de Youtube do jornalista Jorge Nicola, e contou detalhes de quando o clube alviverde, na época patrocinado pela Parmalat, e tentou contratar o argentino Diego Maradona, que estava de saída do Napoli, da Itália. O dirigente, responsável por grandes contratações e por montar os times do Palmeiras na década de 1990, quando o clube conquistou títulos importantes, como o bicampeonato Brasileiro, o bicampeonato Paulista, a Copa do Brasil, o Torneio Rio-SP e Libertadores, explicou porque a negociação com o craque argentino não deu certo

“Quando o Maradona saiu do Napoli, nós estávamos querendo um jogador importante no Palmeiras, e a Parmalat tinha também uma situação de visibilidade, que era importante, e o Maradona daria alguma (visibilidade), né (risos). Eu fui para a Argentina, através da Parmalat Argentina, que na época patrocinava o Boca Juniors, eu até trabalhei por um tempo lá no Boca, e nós começamos a negociação. Eu nunca cheguei a falar com ele (Maradona), eu fiquei o tempo todo falando com o empresário dele, e no final ele veio ‘está legal (a proposta), mas o Maradona não quer jogar no Brasil. Para um argentino isso vai ser muito complicado’. As coisas estavam caminhando, mas no final eu acho que ele pensou ‘nossa, Maradona jogar no Brasil vai ser uma traição com a Argentina’. Quase deu certo”, contou.

Brunoro ainda detalhou como estava estruturada a proposta pelo argentino. “O ‘projeto Maradona’ era um projeto que a gente queria melhorar a imagem dele. Ele saiu um pouco mal lá do Napoli, e a gente queria melhorar a imagem dele, fazer um trabalho comunitário bastante forte, um trabalho para ele ter a imagem dele forte aqui no Brasil, como um grande ídolo do futebol e alguma coisa de carreira que ele quisesse para melhorar a imagem dele. Era um projeto bem 360 para usar bem a imagem dele.”

“Do jeito que nós imaginamos, falar se os valores eram dentro ou fora da realidade, depende de como você estrutura, não existe valor nem muito alto e nem muito baixo. Depende do que você estrutura e o que você tem de retorno. Eu acho que era factível em função do retorno que ele daria, porque Parmalat tinha também o retorno de imagem e o retorno de venda, então eu acho que ele se pagaria, como se pagou todo o processo do Palmeiras”, completou.

PROPOSTA POR MARCELO BIELSA:
José Carlos Brunoro também contou detalhes da negociação que teve com o técnico Marcelo Bielsa, já em sua segunda passagem pelo Palmeiras, no primeiro mandato de Paulo Nobre no clube.

“Na recente passagem do Paulo Nobre, nós resolvemos conversar com o Biels. Eu marquei com ele na Argentina, e ele pediu uma semana para poder conversar com a gente. Eu cheguei lá, em Bueno Aires, na Argentina, e ele veio com um monte de caderno que era um negócio meio maluco, eu pensei ‘será que ele está vindo de algum curso ou algo assim?’. Ele esparramou tudo em cima da mesa e ele tinha mais informações do Palmeiras do que nós”, recordou.

“(A semana que ele pediu) Foi para estudar tudo. Ele arguiu sobre todos os jogadores, sobre todos os jogadores que entraram e saíram, os que jogavam pouco… era um negócio espetacular. A conversa era para ser de duas hora, mas foram seis horas de conversa sobre futebol. Eu fiquei com a melhor impressão possível, eu achei que de louco ele não tinha nada. Era um cara altamente estudioso e com pontos de vistas extremamente seguros;. No final, ele falou assim ‘eu não sei se eu conseguiria dirigir o time do Palmeiras, porque é um time muito motivado. É um time muito bacana, e eu sou um pouco mais duro’. E ele mostrou a proposta que ele tinha, acho que era do Olympique de Marseille, e aí eu falei ‘vamos tomar mais café, mas essa (proposta) não dá para cobrir, não’”, completou Brunoro.