O governo Jair Bolsonaro decidiu indicar um militar, diretor de marketing de uma empresa de defesa israelense no Brasil, para ser o próximo embaixador do país em Israel. O indicado é o coronel da reserva Paulo Jorge de Nápolis, que trabalha na empresa aeroespacial Israel Aerospace Industries (IAI).
Nápolis tem experiência prévia com a função. Entre 2013 e 2015, foi adido militar na embaixada brasileira em Tel Aviv.
Na função, que o Brasil mantém em cerca de 50 países, ele foi responsável pela interlocução entre os canais diplomáticos brasileiros e israelenses na área de defesa. Depois de voltar ao Brasil, ele serviu como oficial de ligação entre adidos militares no exterior, os 40 adidos estrangeiros baseados em Brasília e o Estado-Maior do Exército. Antes, ele havia sido comandante do centro de instrução de operações especiais da Força. O coronel é formado na turma de 1987 da Academia Militar das Agulhas Negras.
Naquilo que conhecidos dele consideram uma injustiça, Nápolis não foi escolhido pelo Alto-Comando do Exército para progredir na carreira como general, e foi para a reserva em março de 2017.
Um mês depois, ele foi trabalhar na IAI, que opera no Brasil com um de seus principais produtos, a linha de drones, sistemas de segurança e na área de aviônicos.
A reportagem o procurou, tanto na empresa como enviando mensagem a seu celular, mas Nápolis não respondeu. O Itamaraty, questionando se o trâmite de informar Israel da intenção já começou, disse que não comentaria o caso.
Atualmente, todos os postos estão ocupados por funcionários de carreira do Itamaraty, embora não haja nenhuma obrigação legal para tanto.
Eventuais conflitos de interesse não são regulados, mas certamente serão objeto caso a indicação de Nápolis prospere e ele seja sabatinado pelo Senado, passo obrigatório para virar embaixador.
Não há tradição no Brasil, como nos EUA, de enviar por exemplo empresários para representar o país no exterior.
No passado, políticos importantes sem cargo público eram frequentadores da representação em Lisboa, e a posição na Agência Internacional de Energia Nuclear, em Viena, foi ocupado por um físico especializado no tema.
O nome de Nápolis foi apoiado dentro do Palácio do Planalto pelo general Luiz Eduardo Ramos, chefe da Secretaria de Governo.