Jorge Sampaoli ainda não definiu seu futuro. Cobiçado por Palmeiras e Racing (ARG), o técnico, que tem contrato com o Santos até o fim de 2020, se preocupa com a situação financeira do Peixe, mas, por outro lado, acredita que a Vila Belmiro apresenta um fator que lhe é muito caro: estabilidade no cargo.
Em diversas oportunidades, Sampaoli deixou claro seu pensamento de que, no Brasil, quando se perde jogos consecutivos o técnico se torna “imprestável”, principalmente para a torcida. Se no Santos ele já ouviu tais críticas das arquibancadas, o mesmo não pode ser dito da direção: Sampaoli nunca esteve ameaçado e o cenário deve se repetir caso ele opte por ficar em 2020
O argentino ainda não sentou para conversar com o Palmeiras, que surge como principal interessado, mas o ambiente que cerca a equipe da capital não agrada ao treinador. A demissão de Mano Menezes, a quem já chamou de “grande líder” em coletivas passadas, chamou a atenção. Mano teve três meses para trabalhar, e o Palmeiras ainda pode terminar o ano como vice-líder do Brasileirão.
Sampaoli já fez duras críticas ao modo como as coisas funcionam no Brasil no mercado dos técnicos e chegou a defender Fábio Carille quando o campeão paulista foi demitido pelo Corinthians. O carrossel de técnicos do Palmeiras, com nove profissionais empregados nos últimos quatro anos, não é bem visto pelo argentino. Ao UOL Esporte, pessoas próximas ao treinador chegaram a usar o termo “clube violento” para definir o modus operandi do Palmeiras
“Há muito movimento de treinadores. Tem a ver com sociedade e meios de comunicação. Isso decanta em uma só pessoa. Jogadores e dirigentes se isolam porque sabem o responsável da adversidade. É um caso mais de um colega. Isso me amarga, amanhã será eu, seguramente. Com a particularidade de que somos descartáveis”, chegou a dizer Sampaoli na época da demissão de Carille.
Em contrapartida, o relacionamento complicado com o presidente José Carlos Peres, a quem Sampaoli já dirigiu várias críticas durante o ano, pesa —e muito— pela saída. Sampaoli quer montar um time para ser campeão, mas desagrada ouvir do dirigente que 2020 será o ano de conquistar taças ao mesmo tempo que as dificuldades financeiras vividas pelo clube inibem a chegada de reforços e podem resultar em desmanche.