Um tribunal do Senegal condenou nesta quarta-feira (4) a dois anos de prisão, com direito a suspensão de pena, um professor que acorrentava alunos fugitivos de uma escola corânica — um tipo de ensino religioso islâmico.
O professor, identificado como Cheikhouna Guèye, foi preso em novembro junto a outras cinco pessoas: quatro pais de alunos e o ferreiro responsável por fazer as correntes. Eles foram detidos após policiais encontrarem os estudantes acorrentados pelos pés na escola corânica de Ndiagne, noroeste do Senegal.
A questão dividiu o país predominantemente muçulmano, que é muito ligado a tradições religiosas. De um lado, ficaram senegaleses preocupados com os direitos da criança. De outro, parte defendeu a atitude do professor.
Há milhares de escolas corânicas no Senegal. Embora o islamismo ainda predomine no país, há em curso uma mudança nos costumes.
Prevendo um possível surto de violência por parte dos apoiadores do professor, a polícia bloqueou todo o acesso ao tribunal na cidade de Luga, que fica no noroeste do Senegal.
Dezenas de pessoas que aguardavam o resultado do julgamento comemoraram a sentença branda, já que temiam uma punição ainda mais severa. Dias atrás, apoiadores do professor saquearam o tribunal quando o juiz se recusou a libertá-lo.
Famara Mane, advogado dos réus, disse à agência France Presse que estava satisfeito com a sentença que considerou uma forma de “apaziguamento e sabedoria”. Ele disse ainda acreditar que seus clientes seriam libertados da prisão no mesmo dia.