O presidente do Conselho Deliberativo do Palmeiras, Seraphim Del Grande, era um dos homens fortes do clube que defendiam a demissão do diretor de futebol Alexandre Mattos há algum tempo. E entrevista ao Torcedores.com, o cartola palmeirense admitiu que a situação era insustentável tanto para o dirigente como para o técnico Mano Menezes, que também foi dispensado após a derrota para o Flamengo, no último domingo (1).
“Com relação ao Alexandre Mattos, acho que o planejamento foi muito mal feito neste ano, se gastou muito dinheiro e nós não tivemos o resultado que nós desejávamos. Acho que não tinha outra medida a não ser a demissão”, explicou Del Grande, que ainda afirmou que o problema do Palmeiras em 2019 não era necessariamente o treinador, ou seja, independente de quem estivesse comandando o time, o resultado dificilmente não seria o mesmo.
“O problema todo era, infelizmente, muita pressão. A pressão em cima do Alexandre Mattos era muito grande há muito tempo, então acumulou uma série de coisas. Teve aquela questão dele alugar apartamento para funcionários do clube e outras coisas que estavam acontecendo e que contribuíram para aumentar ainda mais a pressão. Naquela altura (que o Mano Menezes assumiu), o técnico era o de menos. O precisava era mudar um pouco, e nada vida é tudo assim, você começa a trabalhar em um serviço e depois de alguns anos existe um certo acomodamento que precisa de mudança”, avaliou.
O mandatário do Conselho palmeirense ainda comentou a polêmica envolvendo a empresária e conselheira Leila Pereira, que compartilhou uma notícia sobre a demissão de Mano Menezes antes mesmo do clube oficializar a saída do treinador. “Eu vi o que ela colocou lá, mas para quem vive futebol, depois do jogo contra o Flamengo, com a torcida inteira se manifestando contra o Mano, eu tinha certeza absoluta que o Mano não iria continuar, não precisava ninguém falar isso”.
“O sentimento era que era insustentável a permanência dele. Não é pelo trabalho dele, é pela situação que foi colocada. Com relação a saída do Mano todo mundo sabia, quando terminou o jogo, que o Mano não iria continuar. Ou ele pediria demissão ou seria demitido”, acrescentou.
Seraphim Del Grande evitou falar sobre os nomes especulados para as vagas deixadas por Mano Menezes e Alexandre Mattos – fala-se em Jorge Sampaoli e Marcelo Gallardo para o cargo de treinador e Paulo Pelaipe, Diego Cerri, Thiago Scuro e Paulo Autuori para a vaga de diretor executivo de futebol.
“Eu falei com o Galiotte só depois do jogo, mas na realidade o que eu falei com ele é que agora precisa ter calma. Ele tem que analisar com calma qual perfil que ele vai querer, tanto para o técnico como para o dirigente. No meu entendimento, acho que em primeiro lugar tem que acertar com um diretor”, disse o cartola.
Ao ser questionado sobre como deve ser o planejamento para 2020, De Grande admitiu que o clube deve fechar o ano com prejuízo devido ao baixo aproveitamento nesta temporada e que isso deve interferir diretamente no próximo ano.
“É lógico que nesse ano, devido a expectativa de premiações de se chegar pelo menos nas semifinais (da Copa do Brasil e da Libertadores), era um valor que tinha um aporte financeiro grande e que não veio. Logicamente uma outra série de coisas que aconteceram, como a própria queda do sócio-torcedores Avanti, a queda das arrecadações – esse jogo entre Palmeiras x Flamengo, se não tivesse nessa situação, era um jogo para ter 35 a 40 mil torcedores – então tudo isso fez com que caísse a arrecadação do Palmeiras”, avaliou.
“O Palmeiras, na realidade, deve fechar o ano com algum prejuízo e logicamente a gente não pode fazer loucura de ficar se aventurando para comprar jogador para cima e para baixo. Acho que agora o Palmeiras, com certeza, pelo planejamento que o Maurício vai expor, vai ter que fazer algumas transações com jogadores do elenco para trazer, por permuta ou mesmo financeiramente, ao menos que venda, reforços para umas duas posições, pelo menos é o que está lá e o que foi dito”, acrescentou.
Outra questão apontada por Seraphim Del Grande foi o aproveitamento da base, multicampeã nos últimos anos e que tem revelado muitos jogadores promissores, como Artur, que está emprestado ao Bahia, Gabriel Veron, Gabriel Menino e Alan Guimarães.“O planejamento é de se fazer também um aproveitamento de alguns jogadores da base, mas desde que tenha um trabalho sério, porque o risco de queimar os garotos é grande, então precisa ter muito cuidado. Nós temos uns seis ou oito jogadores de muito potencial, mas precisa ter cuidado na hora de trabalhar com eles”.
Seraphim Del Grande ainda falou sobre o que o torcedores alviverdes podem esperar do clube para 2020. “Podem esperar um empenho muito grande para que o Palmeiras participe das competições sempre como protagonista. É claro que nós vamos ter alguns problemas, pelo menos no começo do ano, por causa da adaptação ao novo treinador, ao novo diretor e até a alguns jogadores que venham ser contratados, isso é normal, mas eu acho que será importante a participação no Campeonato Paulista para pegar esse conjunto e fazer o acerto necessário”, completou.