Professor da rede pública é acusado de assédio por 5 alunas

Segundo uma das vítimas, o docente alisava suas pernas e nuca, sempre dizendo: “Se você tivesse 18 anos, eu te pegaria”

 

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) abriu inquérito para investigar cinco casos de assédio supostamente cometidos por um professor do Centro de Ensino Fundamental 3 (CEF 3) do Paranoá. As vítimas procuraram a direção da escola e registraram ocorrência policial. Todas são alunas do docente, que leciona geografia. As cinco estudantes têm 17 anos e narraram a investigadores da 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá) que os assédios ocorriam nos horários de aula e, à noite, pelas redes sociais.

Na tarde dessa quinta-feira (21/11/2019), uma equipe de policiais esteve na instituição de ensino para colher mais informações. A Secretaria de Educação também abriu procedimento interno na Corregedoria da pasta para apurar o caso administrativamente.
De acordo com as investigações, uma das estudantes relatou que os assédios aconteciam desde o início do ano. Apenas em 8 de novembro, o grupo de estudantes resolveu procurar a direção da escola para contar sobre as supostas investidas do docente.

Uma das adolescentes afirmou, em depoimento na delegacia, ter criado coragem de revelar o caso depois de conversar com um grupo de amigas – todas colegas de classe – e descobrir que elas também eram vítimas das investidas do professor. Algumas das garotas tiraram prints das telas dos celulares em que estão registradas conversas entre as alunas e o educador.

Alunas de escola da rede pública do DF denunciam assédio sexual
Nas caixas de mensagens privadas das estudantes haveria recados do professor pedindo fotografias delas em posições sensuais. Outra jovem contou à polícia que o docente investia fisicamente contra ela, alisando suas pernas e nuca, sempre dizendo: “Se você tivesse 18 anos, eu te pegaria”.

Ainda segundo o relato da adolescente, o professor costumava olhar para ela dentro de sala de aula e usar as mãos para fazer um símbolo que representa o órgão sexual feminino, em tom de insinuação. Outra aluna revelou que já havia sido convidada por ele para ir a um motel.

Constrangimento
Assustadas, após perceberem que todas tinham sido vítimas do mesmo educador, as alunas resolveram procurar a direção da escola. De acordo com elas, a instituição marcou uma reunião (ocorrida na noite de 12 de novembro) em uma das salas do colégio. No entanto, o professor descobriu sobre a mobilização das estudantes e invadiu o encontro, no qual as cinco meninas conversavam sobre o caso com uma supervisora da unidade.

Nos termos de declaração prestados na delegacia, as jovens contaram que o docente entrou na reunião com todos os alunos da classe, a fim de constrangê-las. Em depoimento, uma das estudantes afirmou que o professor permaneceu na ocasião, todo o tempo, “olhando de cara feia” para elas.

As adolescentes também afirmaram que, após procurarem a direção da escola, os responsáveis teriam afirmado que não poderiam afastar o professor de geografia no final do ano letivo, pois isso prejudicaria vários alunos. A pasta afirmou que foi instaurado procedimento interno para apurar o caso, mas não detalhou as providências.
Segundo a delegada-chefe da 6ª DP, Jane Klebia, algumas alunas ainda serão chamadas para prestar novos depoimentos e entregar imagens das conversas travadas com o docente pelas redes sociais. O professor e funcionários da escola também serão intimados a prestarem esclarecimentos.

“É um caso delicado que envolve vítimas menores de idade. Vamos apurar todas as circunstâncias e, se ao final do inquérito houver materialidade que confirme o assédio, o autor poderá ser indiciado. As investigações ainda estão em fase inicial”, explicou Jane Klebia. Devido aos trabalhos ainda estarem no começo, o nome do acusado será preservado.